
27/03/2025
O setor de transporte é hoje o maior consumidor de combustíveis fósseis do Brasil. Entretanto, um projeto de pesquisa desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) quer amenizar este problema transformando resíduos de coco verde em biocombustível.
O coco verde, amplamente consumido em regiões tropicais, gera um grande desafio ambiental devido ao alto volume e à baixa taxa de decomposição de seus resíduos, especialmente a fibra. Em Aracaju, um estudo da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) revelou que a cidade gera cerca de 190 toneladas de resíduos de coco verde por semana. Na capital sergipana foram identificados 87 pontos de venda, sendo 30 deles considerados grandes geradores: descartaram até 200 kg diários ou 400 kg em dias alternados.
É em Aracaju que está instalado o ITP e onde a produção de biocombustível a partir da biomassa residual de coco – um dos resíduos mais abundantes da cidade – está sendo testada. O projeto se insere no contexto da necessidade atual de diversificação das fontes energéticas, como parte das estratégias para a descarbonização de atividades econômicas.
O ITP abriga o Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (NUESC) criado há 15 anos em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPES) e Petrobras. “Em Aracaju, o núcleo de pesquisa científica contribui para dar nova utilização às 190 toneladas de resíduos de coco verde descartadas por semana na cidade. Transformamos em energia um material que representa um grande desafio para o meio ambiente, em função do alto volume e baixa taxa de liquidação”, esclarece o coordenador-adjunto de Programas Profissionais da Área de Engenharia II na CAPES, docente da Unidade, pesquisador do ITP e coordenador do NUESC, Cláudio Dariva.
A quantidade de resíduos de coco descartados em Aracaju sobrecarrega a coleta domiciliar e gera um custo anual de aproximadamente R$ 900 mil para a limpeza pública. Além disso, quando não são destinados ao aterro sanitário, muitos desses resíduos acabam descartados de forma doméstica, agravando o passivo ambiental da cidade.
A conversão dos resíduos em biocombustível não apenas reduz o impacto ambiental, mas também oferece uma alternativa energética renovável e sustentável. Mas, como isso é feito?
A transformação da fibra do coco verde em biocombustível pode ocorrer por diferentes rotas tecnológicas, como a pirólise, a gaseificação e a fermentação. No caso da pesquisa realizada no NUESC do ITP, prioriza-se um processo eficiente e de baixo impacto ambiental:
🥥 Secagem e trituração: a fibra do coco é coletada, seca e triturada para facilitar o processamento.
🥥 Conversão térmica: a biomassa pode ser submetida à pirólise, que converte o material em bio-óleo, biocarvão e gases combustíveis.
🥥 Refino e aproveitamento: o bio-óleo pode ser orgânico para uso em motores e geradores, enquanto o biocarvão pode ser utilizado como fonte de energia ou para melhorar a qualidade do solo.
Recentemente, avanços tecnológicos permitiram a integração de três etapas essenciais para a produção de combustíveis sustentáveis: remoção de óleo, produção de biodiesel e produção de bio-óleo a partir de oleaginosas. Essa tecnologia inovadora emprega fluidos pressurizados, melhora significativamente o uso de solventes orgânicos e promove uma abordagem ambientalmente sustentável.
De acordo com a pesquisa do ITP, uma abordagem maximiza o aproveitamento dos resíduos gerados no processo, contribuindo para uma economia circular e redução do impacto ambiental da produção de combustíveis.
A iniciativa não apenas contribui para a redução da dependência de combustíveis fósseis, mas também melhorou a gestão de resíduos urbanos, evitando o acúmulo de lixo orgânico. Além disso, a criação de uma cadeia produtiva em torno do biocombustível fomenta a geração de empregos e o desenvolvimento local, promovendo uma economia circular.
Fonte: CicloVivo

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