
27/03/2025
O aquecimento global tem alterado paisagens, padrões climáticos e colocado diversas espécies em risco em todo o mundo. E na Austrália isso não é diferente.
Segundo dados oficiais, as temperaturas no país já aumentaram 1,5°C desde o início dos registros, enquanto a redução das chuvas no sul do continente e a escalada dos incêndios florestais agravaram a situação.
No chamado "Verão Negro" de 2019-20, quando o fogo se alastrou por vastas áreas, bilhões de animais perderam seu habitat. Além disso, desde então, quase 2 mil espécies estão ameaçadas, e ecossistemas frágeis, como os recifes de coral, correm sério risco.
➡️ Diante desse cenário, cientistas e conservacionistas australianos perceberam que estratégias tradicionais de proteção ambiental já não são suficientes. Mas criar novas táticas de conservação demanda tempo, dinheiro e muito esforço.
Foi esse desafio que levou a ecologista Jess Melbourne-Thomas a se perguntar: e se houvesse uma forma de reunir as melhores ideias para ajudar na adaptação das espécies ao novo clima?
"Queríamos criar algo acessível, que não exigisse que cada grupo de conservação precisasse reinventar a roda", explica Jess Melbourne-Thomas ao g1.
E assim nasceu o AdaptLog, um catálogo online gratuito que agrega mais de 400 soluções para mitigar os impactos do aquecimento global na biodiversidade.
Em termos práticos, a plataforma, que é de acesso público e gratuito, compila intervenções que vão desde a instalação de abrigos artificiais para espécies vulneráveis até programas de relocação de animais para áreas onde o clima futuro será mais favorável.
📚🌱 Com isso, ela permite que ambientalistas aprendam com experiências bem-sucedidas e adaptem essas soluções às suas próprias realidades.
" A colaboração é fundamental para enfrentar a crise global das mudanças climáticas. Embora a mitigação das mudanças climáticas, por meio da redução das emissões de gases de efeito estufa, seja a solução definitiva para esse desafio, já estamos observando efeitos significativos das mudanças climáticas na biodiversidade, e esses impactos tendem a se intensificar no futuro." — Jess Melbourne-Thomas, cientista marinha, antártica e de mudanças climáticas da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, Austrália.
A ideia do projeto surgiu a partir de um trabalho na costa noroeste da Tasmânia, uma ilha localizada ao sul da Austrália.
Lá, cientistas começaram a instalar ninhos artificiais para ajudar a proteger o albatroz-tímido, uma ave marinha que enfrenta sérias ameaças devido à pesca comercial e ao aumento das temperaturas durante o período de reprodução.
A ave depende de ilhas isoladas para se reproduzir, mas nos últimos anos teve suas populações drasticamente afetadas por atividades humanas, como a pesca, que prejudica a disponibilidade de alimentos e coloca os albatrozes em risco de serem capturados acidentalmente.
Além disso, como as mudanças climáticas estão elevando as temperaturas, o período reprodutivo da espécie também está sendo diretamente afetado, e ninhos naturais estão ficando cada vez inadequados para garantir a sobrevivência dos filhotes.
Para contornar isso, os cientistas decidiram então criar ninhos artificiais, projetados para simular as condições ideais de segurança e temperatura. Com essas estruturas, os albatrozes-tímidos passaram a ter um lugar mais seguro e estável para a reprodução, o que aumentou a taxa de sobrevivência dos filhotes e ajudou a população a se estabilizar.
Conclua a leitura desta reportagem acessando o g1

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