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As casas feitas de lixo que dispensam ar-condicionado no deserto

24/10/2024

Nos belos e rigorosos planaltos desérticos do Estado americano do Novo México, é possível encontrar casas fantásticas e não convencionais que parecem ter saído de um filme de Star Wars.
Algumas dessas residências são esculturalmente arredondadas e chegam a lembrar palácios. Outras se parecem com templos antigos.
Elas foram criadas há quase 40 anos e ficam na cidade de Taos e arredores. São casas ecológicas, conhecidas como Earthships ("naves terrestres", em inglês) – residências net zero (que atingiram o equilíbrio entre a emissão e a absorção de carbono), projetadas de forma sustentável e construídas principalmente com materiais naturais e resíduos, como pneus velhos, garrafas de vinho vazias, madeira e barro.
A construção das Earthships requer menos materiais de construção tóxicos ou emissores de carbono, como concreto e plástico. Elas também não consomem recursos naturais preciosos, como florestas, por exemplo. Por isso, a procura por essas residências diferenciadas vem crescendo em todo o mundo.
O valor de mercado das Earthships varia de cerca de US$ 500 mil a US$ 900 mil (cerca de R$ 2,8 milhões a R$ 5,1 milhões). Elas também são disponíveis para pernoite na região de Taos, por cerca de US$ 240 (cerca de R$ 1,4 mil) por noite.
O movimento das Earthships começou em Taos nos anos 1970.
O arquiteto Michael Reynolds, natural do Estado americano do Kentucky e fundador da empresa de construção ecológica Earthship Biotecture, mudou-se para a cidade em 1969. Seu objetivo era "praticar motocross, por diversão", segundo ele.
Agora com 71 anos de idade, Reynolds conta que teve um momento de inspiração.
"Eu vi [o âncora da TV americana CBS News] Walter Cronkite [1916-2009] falar sobre o desmatamento das florestas para extração de madeira, o que cria não só erosão, mas um problema de oxigênio, já que as árvores emitem oxigênio", contou ele à BBC.
"Ele estava falando sobre o que chamamos, hoje, de mudanças climáticas e aquecimento global. Eu vi todas aquelas latas de cerveja jogadas fora e perguntei, ´por que não construímos com latas de cerveja em vez de árvores?´"
Reynolds construiu sua primeira casa de latas de cerveja em 1971, conquistando algum espaço no noticiário com sua singularidade.
A casa foi exibida em várias partes do mundo, como o Museu do Louvre, em Paris, na França, e o Museu de Arte Moderna de Nova York, nos Estados Unidos.
Reynolds destaca, com alguma incredulidade, que o Museu de Arte Moderna "simplesmente comprou um tijolo de latas de cerveja por US$ 4,5 mil (cerca de R$ 25,6 mil)." E, de fato, depois de usar um dos blocos de construção produzidos com latas de cerveja em uma exibição, o museu decidiu acrescentar um desses blocos à sua coleção permanente.
Mas Reynolds ainda passou anos sendo basicamente considerado, quando muito, um maluco, não um arquiteto sério.
"Era uma ideia meio que ridícula, pura fantasia, mas segui adiante e comecei a avançar naquela direção", ele conta.
"Comecei a usar garrafas e pneus, e segui em frente. Continuo nesta direção há pelo menos 55 anos e, cerca de 36 anos atrás, dei a uma casa, pela primeira vez, o nome de Earthship."

A matéria na íntegra pode ser lida em Época Negócios

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