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O que é coprocessamento?

05/09/2024

O coprocessamento é definido como a substituição do combustível fóssil, o coque de petróleo, em fornos da indústria de cimento por combustíveis alternativos, como resíduos e biomassas. Durante o processo produtivo do cimento, os fornos nas fábricas demandam um alto consumo de energia térmica, atingindo temperaturas de até 1,5 mil graus Celsius. Essa temperatura é necessária para transformar o calcário, a argila e o minério de ferro em clínquer, que é o material base na composição do cimento.
É consenso que o coprocessamento é uma das principais ferramentas para a indústria cimenteira reduzir a emissão de CO2 em seu processo produtivo e conseguir desenvolver um concreto neutro em carbono até 2050. O processo passou a ser reconhecido mundialmente como uma tecnologia de destinação de resíduos não recicláveis adequada e ambientalmente correta. O aproveitamento energético dos resíduos pelos fornos da indústria de cimento evita o depósito desses materiais em aterros e lixões e reduz a demanda da indústria por combustíveis fósseis.
Por meio dessa tecnologia limpa e segura, os resíduos são completamente destruídos nos fornos, sem restar qualquer passivo ambiental devido às altas temperaturas a que são submetidos, necessárias para o processo de fabricação do clínquer. É também um exemplo prático do conceito de Economia Circular por promover um ciclo de renovação e reaproveitamento, alavancando a cadeia de valor e a parceria entre vários setores da economia, tal como destacado no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 17 da ONU – Parceria em Prol das Metas.
Na Europa, Estados Unidos e Japão, o coprocessamento foi implementado desde a década de 1970. No Brasil, essa tecnologia, que passou a ser utilizada em 1991 pela Votorantim Cimentos. Os pneus inservíveis, pneus de carro, caminhão e até tratores, que não podem ser mais recuperados, foram o primeiro tipo de material utilizado como combustível, dando uma destinação final adequada para esse tipo de rejeito. Desde então, foram desenvolvidas pesquisas para que outros tipos de resíduos também passassem a ser utilizados, de acordo com o poder calorífico e outras características necessárias para serem introduzidos no processo.
É importante destacar que todos os resíduos utilizados no coprocessamento são não recicláveis, ou seja, não podem ser reaproveitados na cadeia de reciclagem, e são conhecidos como CDR (Combustível Derivado de Resíduo).
Atualmente, diversos tipos de resíduos podem ser coprocessados – os principais são:

● Resíduos sólidos industriais, urbanos e comerciais: equipamentos de proteção individual contaminados (EPIs), filtros de óleo, borras e solventes, que estão proibidos de serem enviados para aterros sanitários industriais. Espumas, esponjas de cozinha, acrílico, tomadas, embalagens metalizadas (como as de café e salgadinho), isopor, plástico filme, etiquetas adesivas e diversos tipos de papel, como papéis plastificados, engordurados, papel carbono, parafinado ou resinado, fotografias, papel celofane.
● Resíduos líquidos e pastosos: borras de tinta e oleosas, lodos de estação de tratamento, como resíduos de limpeza de tanques.
● Resíduos agrícolas e biomassas: caroço de açaí, coco de babaçu, casca de arroz, bagaço de cana, casca de trigo, cavaco de madeira, caroço de azeitona, entre outros resíduos das cadeias agroindustriais

Os resíduos da produção agrícola, na maioria dos casos, não são reaproveitados, o que pode se tornar um problema para os agricultores. A disposição desses materiais de forma inadequada no meio ambiente gera potenciais riscos de contaminação tanto do solo quanto da água, assim como a degradação em metano, gás com grande potencial causador de efeito estufa. Na colheita de arroz, por exemplo, o espaço ocupado pela casca prejudica o giro do processo de escoamento do produto e causa impacto ambiental devido ao longo prazo para sua degradação.
A utilização desses resíduos não gera nenhum novo rejeito no processo de produção do cimento nem afeta a qualidade do produto final. Também contribui para a redução de materiais enviados para aterros sanitários e da quantidade utilizada de combustíveis fósseis, o que resulta em um efeito positivo na redução das emissões de CO2 da indústria e de outros gases nocivos do processo de decomposição, como o metano, que seriam gerados nos aterros e lixões.

A matéria na íntegra pode ser lida no CicloVivo

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