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Pesquisa detecta microplástico em praias: Paiva, Porto de Galinhas, Boa Viagem e Tamandaré têm resíduos na areia e em animais marinhos

20/08/2024

Uma pesquisa sobre a ocorrência de microplástico nas praias de Pernambuco acabou revelando algo mais preocupante em relação à degradação ambiental: a necessidade de investir na despoluição dos rios e seus afluentes.
Ao quantificarem a presença fragmentos de microplástico nas praias do Paiva, de Porto de Galinhas e de Tamandaré – no Litoral Sul de Pernambuco, os biólogos Jéssica Mendes e Múcio Banja, do Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI), verificaram que o maior problema encontra-se no Rio Jaboatão, que deságua no Oceano Atlântico na região da Praia do Paiva.
O Paiva foi o local com maior ocorrência de resíduos de microplástico, na comparação com as praias de Suape, Tamandaré e Porto de Galinhas.
A investigação começou em 2019, quando Jéssica Mendes direcionou o trabalho final da graduação em ciências biológicas para investigar os impactos desse tipo de resíduo nos naufrágios que existem na costa do estado – bastante visitados por quem pratica mergulho recreativo, caso da própria Jéssica.
“A pesquisa constatou que todos os naufrágios no estado, até os mais distantes do litoral, e também os mais profundos, têm presença de fragmentos de microplástico. O resíduo foi encontrado inclusive a 11 milhas de distância, o que significa quase duas horas de navegação de lancha, a 36 metros de profundidade”, explicou a bióloga.
Coordenador da pesquisa, professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e integrante do IATI, Múcio Banja acrescentou que, com a continuidade da investigação durante o mestrado de Jéssica Mendes, o objetivo passou a ser identificar a quantidade de resíduos de microplástico em três praias do estado. São elas:
🏖️ Praia do Paiva: Litoral Sul, a 30 quilômetros do Recife, com acesso restrito e pouca circulação de pessoas;
🏖️ Porto de Galinhas: Litoral Sul, a 70 quilômetros do Recife, com grande circulação de pessoas e turistas;
🏖️ Tamandaré: Litoral Sul, a 108 quilômetros do Recife, com grande circulação de pessoas e turistas.

“A nossa hipótese era de que nas praias com maior circulação de pessoas haveria maior ocorrência de partículas de microplástico, enquanto no Paiva – que seria uma praia de ‘controle’ – com menor acesso de visitantes, o depósito desses poluentes seria menor. Mas o que os resultados das análises mostraram foi exatamente o contrário: a Praia do Paiva tem quase três vezes mais microplástico na areia do que Tamandaré; e o dobro de resíduos na comparação com Porto de Galinhas”, detalhou Múcio Banja.
A surpresa dos pesquisadores foi ainda maior ao constatarem que a praia de Suape – próxima ao Complexo Industrial Portuário, tem a mesma ocorrência de microplástico que Tamandaré, localizada a 80 quilômetros de distância.
Fragmentos de microplástico encontrados numa proporção de 200g de areia (sedimentos), nas praias pesquisadas:
🏖️ Praia de Suape: 195
🏖️ Praia do Paiva: 695
🏖️ Porto de Galinhas: 320
🏖️ Tamandaré: 196

Baseados nas análises da areia das praias, os cientistas decidiram investigar também, até o final de 2024, a presença de microplástico em esponjas marinhas das espécies Haliclona sp e Thetya sp, em três praias: Boa Viagem (no Recife), Praia do Paiva e Porto de Galinhas.
Neste caso, apesar de a areia da Praia do Paiva ser a mais contaminada pelos resíduos, os animais marinhos do local foram os menos contaminados com fragmentos plásticos.
Enquanto no Paiva foram identificados 349 fragmentos plásticos em 10 gramas dos animais; em Porto de Galinhas essa quantidade foi de 391 a cada 10g; e em Boa Viagem foram identificados 1.166 fragmentos plásticos a cada 10 gramas de esponjas marinhas.
Os cientistas do IATI agora têm se debruçado sobre os resultados para entender por que a Praia do Paiva tem muito mais resíduos plásticos na areia do que o verificado nas esponjas marinhas, e também os resultados encontrados nas demais amostras.
“Poderia dizer que, provavelmente, os sedimentos da areia estão acumulando com o passar dos anos. E aí talvez o resultado do Paiva seja o de dezenas de anos, talvez 40, 50 anos que acumulou. Por isso tem tanto microplástico. Já o que a gente encontrou na esponja, é o que o animal filtrou, e o animal tem um tempo de vida bem menor. Então a gente percebe que aquela região do Paiva há muito tempo vem sofrendo um depósito de microplástico nas areias. Mas os animais, de certa forma, podem mostrar que do ponto de vista da água, talvez o Paiva seja uma área com menos presença de microplástico”, explicou Múcio Banja.

Conclua a leitura desta reportagem clicando no g1

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