
14/12/2023
Um mapeamento inédito sobre cobertura e uso da terra de 844 milhões de hectares da América do Sul, que correspondem aos 47% do continente por onde se estende a Amazônia e as nascentes de seus principais rios, mostra que a abertura de novas áreas de pasto tem sido o principal vetor de mudanças em florestas e outros ecossistemas.
Os dados integram MapBiomas Amazonía – Coleção 5.0, uma série de mapas de cobertura anual e uso da terra na Amazônia produzidos pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada, a RAISG, com apoio da rede MapBiomas no período entre 1985 e 2022.
A área avaliada vai além da Amazônia Legal brasileira, embora 61,9% do território analisado (521,9 milhões de hectares) fiquem no Brasil. Ela inclui os limites do bioma amazônico na Colombia e na Venezuela, os limites da bacia amazônica no Equador, Peru e na Bolívia, a soma dos limites das principais bacias hidrográficas que alimentam o bioma (Amazonas e Araguaia-Tocantins) e todo o território continental da Guiana, Guiana Francesa e Suriname, que não pertencem à bacia do rio Amazonas, mas estão cobertos por floresta similar, em forma e composição, ao resto da região.
O levantamento mostra que dos 86 milhões de hectares de vegetação natural eliminados no território analisado, 84 milhões foram convertidos em áreas agropecuárias e de silvicultura, com destaque para pastagem, que ocupa 66,5 milhões de hectares da área devastada entre 1985 e 2022 – ou 77% da área transformada.
Áreas para a agricultura, por sua vez, cresceram 19,4 milhões de hectares nos últimos 38 anos. Ao todo, os usos antrópicos da terra na Pan Amazônia em 1985 respondiam por 51 milhões de hectares, ou 6% do bioma. Em 2022, já eram 136 milhões de hectares, ou 16% do total. Isso representa um crescimento de 85 milhões de hectares, ou 169%, no período.
A eliminação da vegetação atinge prioritariamente a floresta: apenas 6 milhões de hectares suprimidos no período eram de formações não florestais. Por isso, embora o levantamento mostre que 81,4% da Amazônia ainda estejam cobertos por vegetação natural, apenas 73,4% são florestas – percentual que já está dentro da faixa estabelecida pela ciência como limite para que a Amazônia se mantenha ou se recupere, evitando o processo de savanização na região.
Paralelamente ao avanço da agropecuária, é possível constatar um potente avanço de atividades minerárias, que cresceram 1367% entre 1985 e 2022, atingindo meio milhão de hectares. Outra mudança notável no período é a retração de 48% dos glaciares na região, decorrente do aquecimento global agravado pelo desmatamento e mudanças nos ecossistemas da Amazônia para a expansão de atividades econômicas.
As imagens de satélite mostram claramente que a conversão de florestas em pastagens e outros usos é mais forte no Brasil – notadamente no Arco do Desmatamento, que vai do Pará ao Acre, passando por Mato Grosso e Rondônia e entrando pelo sul do estado do Amazonas.
O mesmo pode ser observado no oeste da Amazônia na Colômbia e Venezuela. Já na Bolívia, a eliminação de florestas e outros ecossistemas abriu uma grande área agrícola no departamento de Santa Cruz, no sul da bacia amazônica. Enquanto em outros países amazônicos, como o Peru, predominam outros padrões de uso, que são constituídos por uma associação heterogênea de áreas agropecuárias.
Veja o mapeamento em diferentes países clicando no CicloVivo
Por que países vizinhos sofrem tanto com grandes terremotos, mas Brasil é poupado?
30/06/2026
Recife gigante tem estrutura decifrada pela primeira vez
30/06/2026
Fifa ignorou sindicato de jogadores e painel de cientistas ao criar pausa obrigatória na Copa
30/06/2026
Tensão nas falhas de San Andreas e San Jacinto está no maior nível em mil anos, diz estudo
30/06/2026
Europa investe em calor industrial limpo
30/06/2026
Recorde de calor na Alemanha faz estradas ´estourarem´
30/06/2026
