
05/12/2023
Mais de 7.500 quelônios (entre tartarugas-da-Amazônia, tracajás e pitiús) ganharam neste no sábado (2) as águas do rio Xingu, após o ciclo de reprodução na Unidade de Conservação Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal, em Senador José Porfírio, no sudoeste do Pará.
A organização do projeto responsável pela soltura dos quelônios atualizou o número de animais que voltaram à natureza. O número aumentou de 1.700 para 7.500 quelônios.
Equipes do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) e da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, ajudaram nas ações do Projeto Tartarugas do Xingu com escavação na areia para auxiliar o nascimento dos filhotes.
O monitoramento do fenômeno vem sendo acompanhado desde agosto por três biólogos e 15 auxiliares do projeto quando começa a desova das espécies. Em novembro, com o período de eclosão, os quelônios nascem e vão para o rio.
Desde o começo do Projeto Tartarugas do Xingu, em 2011, mais de 6 milhões de filhotes de quelônios foram devolvidos à natureza.
O ciclo de reprodução da tartaruga-da-Amazônia é mais sensível, o que exige cuidados especiais durante a colocação de ovos pelos quelônios. O Tabuleiro do Embaubal é uma das principais áreas de reprodução das espécies e foi criado em 17 de junho de 2016.
“Este é um importante reduto de biodiversidade, abrigando grande variedade de espécies animais e vegetais, além de ser o local de maior desova de quelônios”, diz Roberto Silva, gerente dos meios físico e biótico da Norte Energia.
Ao se aglomerarem para a reprodução, as tartarugas acabam se tornando presas fáceis para pessoas que utilizam a pesca do quelônio em larga escala para pesca predatória. O que é proibido.
“O maior desafio é garantir que elas sobrevivam. E pra isso a gente faz uma série de atividades. A fiscalização é a principal, porque o nosso pior inimigo aqui é o ser humano, por conta da caça ilegal da espécie e o consumo que há muito nas cidades vizinhas”, conta Átilla Melo, Técnico em Gestão Ambiental do Ideflor-Bio.
Segundo Átilla Melo, a tartaruga tem uma função grande, como semear sementes. “Por ser uma espécie onívora, ela se alimenta também do resto de vegetação, frutas e tudo mais, e as frutas servem para poder levar as sementes para outros lugares”, afirma.
Há algumas diferenças entre as espécies foco do projeto. Os tracajás colocam os ovos em solos de maior densidade, como barrancos de argila e de forma espalhada pelas margens do rio, enquanto a tartaruga e o pitiú escolhem uma área preferencialmente de areia.
As tartarugas têm, em média, 1 metro e 75Kg na fase adulta. Já os tracajás alcançam 45 cm e 5Kg quando adultos, com os pitiús atingindo cerca de 4Kg e 35 cm entre as fêmeas, maiores do que os machos.
As tartarugas depositam entre 80 e 100 ovos por ninho, os tracajás entre 15 e 30 ovos e os pitiús colocam entre 20 e 25 ovos em cada ninho.
Os tracajás são comumente vistos na Volta Grande do Xingu, mas a tartaruga e o pitiú estão presentes apenas na parte de baixo da bacia do Xingu. A expectativa de vida desses quelônios passa dos 100 anos.
Fonte: g1
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