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Incêndio atinge há um mês reserva amazônica no Amapá

23/11/2023

Equipes de ambientalistas e do governo federal monitoram e atuam no combate a um incêndio florestal que iniciou há mais de um mês no litoral do Amapá, e que atingiu a Reserva Biológica do Lago Piratuba, parte da amazônia.
No dia 9 de outubro, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) detectou, por meio de sistema de monitoramento via satélite, um foco de calor em fazendas localizadas no entorno da reserva biológica, entre os municípios de Tartarugalzinho e Amapá, o que indicaria um possível incêndio florestal.
A operação de controle e combate às chamas começou em 3 de novembro, após um sobrevoo das equipes na região, confirmando a suspeita de queimada.
Segundo a chefe da Reserva Biológica do Lago de Piratuba, do ICMBio, Patrícia Pinha, o incêndio acontece em duas modalidades: superficial e subterrâneo, com a queima de turfas —composto orgânico feito a partir da decomposição de vegetais que se desenvolvem em locais alagadiços.
Atualmente, o fogo ultrapassou 15 km do limite da unidade protegida e a operação é complicada devido ao fogo que queima o material abaixo do solo, informou Patrícia. As instituições ainda não têm uma previsão de quando as chamas poderão ser controladas e combatidas.
"É um incêndio também superficial, mas predominantemente subterrâneo. Então trata-se de dupla propagação do fogo. Estamos investindo altos recursos públicos para controlar a situação, mas não está sendo fácil. A região é de lagos, mas fica cada vez mais seca com o passar do tempo", disse Pinha.
A força-tarefa reúne 40 brigadistas, do ICMBio e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), além de dez servidores no apoio logístico. A operação conta ainda com duas aeronaves –uma Super Puma, da Marinha, e um Écureuil ("Esquilo"), do Instituto Chico Mendes.
Para combater o incêndio subterrâneo, os brigadistas abrem aceiros, como trincheiras, com objetivo de separar as raízes em chamas das plantas que não foram atingidas. O trabalho é feito manualmente com uso de pás e enxadas, pois o local é difícil acesso, o que impede a chegada de maquinários terrestres.
Já o incêndio na superfície avança com mais velocidade. O enfrentamento é feito de forma direta, na linha de frente das chamas, com uso de bombas costais, motobombas e abafadores de fogo, e conta com o reforço das aeronaves.
A Reserva Biológica do Lago Piratuba possui 392 mil hectares, conforme o governo federal. O local abriga espécies ameaçadas e protegidas, como a onça-pintada, ariranha e o peixe-boi-da-Amazônia, além de vegetação nativa.
De acordo com Pinha, as turfas quando são incendiadas emitem uma elevada quantidade de carbono para atmosfera, o que contribui para as mudanças climáticas. A queima das raízes mata a vegetação na superfície e prejudica a vida dos animais.
"Os prejuízos são muito grandes para fauna e flora. A área pode se regenerar, mas nunca volta a ser a mesma, a exemplo dos açaizais, que não conseguem se regenerar sem indução. Um dos últimos açaizais nativos da região foi perdido nesse incêndio", disser
Patrícia relatou, ainda, que a reserva sofre há anos com queimadas, maioria delas oriundas da ampliação de pasto, para avanço da pecuária no entorno da região, que é cercada por propriedades rurais. E, algumas fazendas responsáveis por queimadas estão dentro dos limites protegidos, mas aguardam por processo de reintegração de posse.
O calor extremo registrado com os aumentos da temperatura global e o período sem chuva na região teriam influenciado diretamente na propagação descontrolada do incêndio florestal.
O ICMBio iniciou uma perícia para apurar o ponto de início do fogo e, assim, avançar nas investigações para responsabilizar os possíveis autores no artigo 41 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei dos Crimes Ambientais).
"A suspeita do início do incêndio é de uma ação envolvendo o avanço de pastagem para a pecuária. Não sabemos se é proposital ou não, por isso a perícia é importante para confirmar de onde surgiu o fogo", afirmou a chefe da reserva.

Fonte: Folha de S. Paulo

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