
23/11/2023
Em meio a evidências inegáveis das mudanças climáticas e seus efeitos para a vida no planeta, a ONU divulgou um relatório que reforça a necessidade de ações efetivas para frear o aquecimento global. De acordo com o Relatório-Síntese sobre as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) de 2023, os planos nacionais de ação climática continuam insuficientes para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC.
A Convenção-Quadro analisou as NDCs de 195 Estados-parte do Acordo de Paris, incluindo 20 NDCs novas ou atualizadas apresentadas até 25 de setembro de 2023. O objetivo é informar a próxima rodada de planos de ação climática previstos pelo Acordo de Paris, que serão apresentados até 2025.
Se as últimas NDCs disponíveis forem implementadas, os compromissos atuais aumentarão as emissões em cerca de 8,8%, em comparação com os níveis de 2010. Essa é uma melhora marginal em relação à avaliação do ano passado, que constatou que os países estavam em um caminho para aumentar as emissões em 10,6% até 2030, em comparação com os níveis de 2010. Projeta-se que, até 2030, as emissões estarão 2% abaixo dos níveis de 2019, destacando que o pico das emissões globais ocorrerá nesta década.
Para o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, é hora de uma “supernova” de ambição climática em todos os países, cidades e setores, alertando que “progresso de centímetro a centímetro não será suficiente”.
“O relatório mostra claramente onde o progresso está muito lento. No entanto, ele também apresenta a ampla gama de ferramentas e soluções apresentadas pelos países. Bilhões de pessoas esperam que seus governos peguem essa caixa de ferramentas e as coloquem em prática“, alerta Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Este relatório reforça mais uma vez a necessidade de ações contundentes para reduzir a trajetória das emissões mundiais e evitar os piores impactos da mudança climática.
As evidências científicas mais recentes compiladas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que as emissões de gases de efeito estufa precisam ser reduzidas em 43% até 2030, em comparação com os níveis de 2019. Isso é fundamental para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC até o final deste século e evitar os piores impactos da mudança climática, inclusive secas, ondas de calor e chuvas mais frequentes e severas.
“Cada fração de grau é importante, mas estamos gravemente fora do caminho. A COP28 é o nosso momento de mudar isso. É hora de mostrar os enormes benefícios de uma ação climática mais ousada: mais empregos, salários mais altos, crescimento econômico, oportunidade e estabilidade, menos poluição e melhor saúde”, destacou Stiell.
Para atingir o pico de emissões antes de 2030, diz o relatório, “os elementos condicionais das NDCs precisam ser implementados, o que depende principalmente do acesso a recursos financeiros aprimorados, transferência de tecnologia e cooperação técnica e apoio à capacitação, bem como da disponibilidade de mecanismos baseados no mercado”.
“É essencial, continuar a buscar a justiça climática e ajudar o Sul Global, que é o que menos contribui com emissões, mas que suporta os efeitos mais cruéis das mudanças climáticas, não apenas a sobreviver, mas também a fazer a transição para uma economia mais sustentável por meio de caminhos de transição justa”, reforçou Sameh Shoukry, presidente da COP27 e ministro das Relações Exteriores do Egito.
O novo relatório da ONU foi divulgado 2 semanas antes do início da COP28. A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 vai ser realizada em Dubai, entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro e a expectativa é que traga ações reais de combate à emergência climática.
Para Simon Stiell, os governos precisam dar passos decisivos na COP28 e entrar no caminho certo. “Isso significa que a COP28 deve ser um ponto de virada claro. Os governos não só devem concordar sobre quais ações climáticas mais robustas serão tomadas, mas também começar a mostrar exatamente como implementá-las”.
A intensificação da mudança climática é inegável e deve gerar uma pressão por resultados mais efetivos na próxima COP. Entre 1998 e 2017, eventos climáticos extremos mataram 1,3 milhão de pessoas em todo o mundo.
Apesar disso, os governos planejam produzir cerca de 110% mais combustíveis fósseis em 2030, o que é incompatível com a limitação do aquecimento a 1,5°C. Quando combinados, os planos governamentais levariam a um aumento na produção global de carvão até 2030 e na produção global de petróleo e gás até pelo menos 2050.
Isso acontece em um contexto em que as emissões globais de dióxido de carbono — quase 90% das quais são provenientes de combustíveis fósseis — aumentaram para níveis recordes em 2021-2022.
“Não podemos enfrentar a catástrofe climática sem atacar sua causa principal: a dependência dos combustíveis fósseis. A COP28 deve enviar um sinal claro de que a era do combustível fóssil está sem gás – que seu fim é inevitável. Precisamos de compromissos confiáveis para aumentar as energias renováveis, eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e aumentar a eficiência energética, garantindo ao mesmo tempo uma transição justa e equitativa”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU, 8 de novembro de 2023.
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