
21/11/2023
O tsunami meteorológico que arrastou carros e assustou frequentadores da praia do Cardoso em Laguna, Litoral Sul de Santa Catarina, teve quatro ondas que duraram entre 14 e 16 minutos cada, detalhou a Epagri/Ciram, órgão que monitora o tempo no estado, na noite de sexta-feira (17).
O evento foi identificado por marégrafos do órgão em Imbituba e Laguna. O fenômeno, considerado por especialistas "de difícil previsão", ocorreu no último sábado (11).
Oceanógrafo e pesquisador do órgão, Carlos Eduardo Salles de Araujo explica que uma onda normal costuma durar cerca de 15 segundos.
“Quando acontece uma onda que dura em torno de 15 minutos, significa que ela reúne o volume de água que seria acumulado por 60 ondas”, explica o pesquisador.
Embora seja longas, essas ondas não são altas, segundo o especialista. Dessa forma, um observador da praia não consegue perceber o risco quando elas se aproximam.
Segundo o pesquisador, atualmente, não há tecnologia no mundo capaz de prever a ocorrência de meteotsunamis, como também são chamaos os tsunamis meteorológicos.
“Contudo, o registro destas ocorrência por marégrafos permite aos pesquisadores conhecer cada vez mais esse tipo de fenômeno e quem sabe, no futuro, desenvolver um sistema de previsão”, pondera.
O marégrafo do Porto de Imbituba, localizado a cerca de 30 km ao norte de Laguna, registrou duas séries de ondas, com duas ondas cada. Como ele faz registros a cada minuto, foi possível detalhar o fenômeno.
“Na primeira série temos uma onda com período de 14 minutos (entre 16h38 e 16h52) e, na sequência, outra com período de 16 minutos (entre 16:52h e 17h08). Na segunda série temos duas ondas com período de 14 minutos: a primeira registrada entre 17h19 e 17h33 e a segunda registrada entre 17h33 e 17h47”, relata o pesquisador.
O marégrafo de Laguna, mais próximo da praia do Cardoso, mede as condições de mar a cada 5 minutos, o que impede o detalhamento das características do tsunami meteorológico. O equipamento registrou duas cristas de ondas às 16h35 e às 17h10.
Carlos explica que o fenômeno foi provocado por células de tempestade alinhadas, conhecidas como linhas de instabilidade, que, ao se propagarem, geraram pulsos de pressão e fortes rajadas de vento na atmosfera.
Os pulsos de pressão, de acordo com ele, são como “pancadas” que criam ondulações na superfície do mar e, quando essas ondulações oceânicas se deslocam com velocidade e direção próximas às da linha de instabilidade atmosférica, as ondas do mar são amplificadas, aumentando sua altura.
Esse mecanismo físico, ele complementa, é conhecido como ressonância. Ele gera os tsunamis meteorológicos.
Embora incomum, esse fenômeno foi observado e descrito em Santa Catarina algumas vezes, segundo a Epagri/Ciram:
* 19 de novembro de 2009: praia do Pântano do Sul, em Florianópolis;
* 16 de outubro de 2016: praia do Morro dos Conventos, em Araranguá;
* 29 de outubro de 2019: praia da Guarda do Embaú, em Palhoça;
* 11 de novembro de 2023: praia do Cardoso, em Laguna.
Fonte: g1
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