
16/11/2023
Num calor de 40 graus, imagina que seu expediente de trabalho é na piscina, nadando em 3,5 milhões de litros de água fresca todos os dias. Nada mal, não é? É assim que os biólogos do AquaRio vivem, veja você. O cenário aquático lembra o azul do mar, com corais, peixes de várias espécies e uma temperatura bem mais amena do que o sol escaldante lá fora: 25 graus no tanque principal.
Nos corredores internos do aquário da cidade não tem ar-condicionado. Uma das biólogas de manejo dos animais do espaço, Amanda Ruscy, de 33 anos, suava do lado de fora da piscina. Não era para menos: ela vestia um long john, uma roupa de neoprene (um tipo de borracha sintética), que cobre pernas, tronco e braços.
— Está um calor danado aqui do lado de fora, mas quando a gente entra no tanque refresca bem. A temperatura fica entre 24 e 26 graus. A roupa que a gente usa tem 5 mm e é ideal para essa temperatura — explica ela.
Devidamente equipada, é hora de trabalhar. Cada mergulho dura, em média, 50 minutos. O tempo é suficiente para o corpo perder calor e começar a resfriar, para equiparar a temperatura interna com a externa. O processo é natural. Quando começa a sentir frio, é hora de voltar.
— Depois de um certo tempo na água, a gente começa a perder calor corporal. Mas eu não chego a sentir frio. Quando eu vejo, já está na hora de voltar — conta Amanda.
Além de Amanda, outros 16 biólogos se revezam nos dois mergulhos diários no aquário, um grupo pela manhã e outro à tarde. O primeiro turno é para limpeza e manutenção do espaço, e o segundo, para alimentação dos animais, principalmente o tubarão-mangona e o tubarão-zebra. Os biólogos recebem o apoio de um mergulhador profissional que ajuda a monitorar o espaço e o fluxo dos animais marinhos.
— Nesses mergulhos a gente também faz, periodicamente, procedimentos com os tubarões, para conquistar, aos poucos, a confiança dos animais. Um deles é a indução de um comportamento natural, através do estímulo de órgãos sensoriais, para deixar os animais calmos e entregues ao cuidado do biólogo. Isso facilita o manejo veterinário em situações de necessidade — diz a bióloga Carol Laaf.
No tanque onde ficam os caranguejos, espécie que habita nas profundezas dos oceanos, onde a temperatura da água costuma ser de trincar os dentes. Para simular esse ambiente, a água do tanque fica a 12 graus, o que exige dos mergulhadores mais proteção na hora de submergir, como o uso de uma roupa seca, totalmente impermeável, com capuz e luva.
— A gente fica entre 15 e 20 minutos debaixo d’água, no máximo, para fazer a limpeza de visor e de substrato. Aqui fora está um calorzão, e a água bem gelada. O equipamento ajuda muito. Na hora que sai da água é muito importante tomar um banho quente para retomar a temperatura corporal — explica Amanda.
Com 26 mil m² de área construída e 4,5 milhões de litros de água no total, o AquaRio é o maior aquário marinho da América do Sul e tem mais de 2 mil animais, de 350 espécies diferentes em exposição. Assim que saiu da piscina, Amanda quis mergulhar de novo:
— Está muito quente. Dá vontade de voltar para a água.
Fonte: O Globo
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