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Exposição a ondas de calor duplicou no mundo e número de mortes pode aumentar 370% até 2050

16/11/2023

As mudanças climáticas continuam a ter um efeito cada vez pior na saúde e na mortalidade em todo o mundo, de acordo com um relatório publicado nesta terça (14) que contou com a participação de uma equipe internacional de 114 pesquisadores.
Uma das descobertas mais alarmantes é que as mortes relacionadas ao calor de pessoas com mais de 65 anos aumentaram 85% desde a década de 1990, de acordo com um modelo que incorpora tanto as mudanças de temperatura quanto às demográficas. Pessoas nessa faixa etária, juntamente com bebês, são especialmente vulneráveis a riscos à saúde, como insolação. À medida que as temperaturas globais aumentaram, idosos e bebês agora estão expostos ao dobro de dias de ondas de calor anualmente em comparação com o período de 1986 a 2005.
O relatório, publicado na revista médica The Lancet, também rastreou a perda estimada de renda e a insegurança alimentar. Globalmente, a exposição ao calor extremo e as perdas resultantes em produtividade ou incapacidade de trabalhar podem ter levado a perdas de renda de até US$ 863 bilhões em 2022. E, em 2021, estima-se que 127 milhões de pessoas a mais tenham experimentado insegurança alimentar moderada ou grave relacionada a ondas de calor e secas, em comparação com o período de 1981 a 2010.
"Perdemos anos muito preciosos de ação climática e isso teve um custo enorme para a saúde", disse Marina Romanello, pesquisadora da University College London (do Reino Unido) e diretora-executiva do relatório, conhecido como The Lancet Countdown. "A perda de vidas, o impacto que as pessoas experimentam, é irreversível."
Os indicadores de saúde pública rastreados no relatório geralmente diminuíram ao longo dos nove anos em que os pesquisadores produziram edições da avaliação.
A análise também examinou os resultados de saúde para países individuais, incluindo os Estados Unidos. As mortes relacionadas ao calor de adultos com mais de 65 anos aumentaram 88% de 2018 a 2022, em comparação com 2000 a 2004. Estima-se que 23.200 idosos americanos tenham morrido em 2022 devido à exposição ao calor extremo.
"Esses números me lembram dos pacientes idosos que vejo em meu próprio hospital com insolação", disse Renee Salas, médica de medicina de emergência no Massachusetts General Hospital e na Harvard Medical School. Ela é uma das coautoras do relatório.
Os dados do estudo podem ajudar a preencher uma lacuna para os formuladores de políticas federais.
"Temos um conjunto limitado de indicadores para mudanças climáticas e saúde que são rotineiramente coletados nos Estados Unidos", disse John Balbus, diretor do escritório de mudanças climáticas e equidade em saúde do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Ele não contribuiu para o relatório e não está atualmente envolvido com o The Lancet Countdown, mas já atuou como conselheiro científico do financiador do projeto.
Balbus alertou que o estudo mede principalmente a exposição das pessoas aos riscos relacionados ao clima, em vez dos resultados reais de saúde, como taxas de doenças. Para chegar aos resultados de saúde reais a partir das exposições, ele disse que são necessários mais investimentos em pesquisa.
Pela primeira vez, o Lancet Countdown deste ano incluiu projeções para o futuro. Se a temperatura média global aumentar 2°C em comparação às temperaturas pré-industriais, um cenário cada vez mais provável a menos que a sociedade reduza significativamente as emissões de gases de efeito estufa, o número de mortes relacionadas ao calor aumentará em 370% até meados deste século, constatou o relatório.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores destacam que a redução da poluição causada por combustíveis fósseis está se mostrando benéfica para a saúde global. As mortes por poluição do ar relacionada a combustíveis fósseis diminuíram 15% desde 2005, sendo a maior parte dessa melhoria resultado de uma redução na poluição relacionada ao carvão que entra na atmosfera.
O valor do Lancet Countdown está em seu monitoramento contínuo dos efeitos das mudanças climáticas na saúde global, disse Sharon Friel, diretora do Planetary Health Equity Hothouse na Australian National University.

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