
26/09/2023
Desde 1958, a NASA (National Aeronautics and Space Administration) desenvolve diferentes tecnologias para a programas de exploração espacial – a agência tem uma imagem vinculada à ideia de processos e equipamentos extremamente modernos. Mas, recentemente, a agência americana reconheceu o potencial de uma tecnologia milenar usada por pequenos animais para restaurar rios e o ecossistema no seu entorno.
A NASA se uniu a fazendeiros de Idaho, estado americano localizado na região das Montanhas Rochosas, para monitorar os efeitos da reintrodução de castores em rios e córregos e bacias hidrográficas. A parceria vai trazer novos dados de monitoramento remoto a um conjunto de ferramentas usadas para acompanhar as atividades dos animais, rastrear a localização de barragens e dispersão de água, e determinar locais ideais para reintrodução de castores.
O projeto começou com os fazendeiros da região que estavam trazendo de volta os castores para suas propriedades. Isso porque as barragens construídas pelos animais ajudam a garantir a segurança hídrica e o equilíbrio do ecossistema local.
Sem as barragens, quando a água chega a uma paisagem de, seja por meio da chuva ou do degelo, ela desce colina abaixo rapidamente, por córregos que desembocam em riachos e rios até chegar ao mar ou a algum lago importante. Neste caminho, arrasta sedimentos, varrendo o solo e pode até assorear cursos e água.
Já com as barragens dos castores, a água é represada e o seu caminho é mais lento e suave, beneficiando a fauna e a flora locais. A água das barragens alimenta a vida de pássaros, plantas, insetos e anfíbios ao longo do seu curso. Além disso, reabastece os aquíferos e mantém o solo, a grama e as árvores mais úmidos por mais tempo.
“Antes da captura de castores, havia barragens de castores em quase todo o oeste. Portanto, o que estamos tentando fazer é trazer as densidades das barragens de castores de volta aos níveis históricos, sempre que possível”, disse Macfarlane.
Os castores foram quase extintos da região com a ação das indústrias de armarinhos e de captura de peles do século XIX. A pele de castor era usada para fazer chapéus, casacos e luvas. Depois de muito temp, os animais estão voltando ao Oeste americano e este retorno é, em parte, um trabalho dos fazendeiros locais que aprenderam que a espécie realiza um importante serviço ambiental. Algo que nem a NASA consegue fazer com tanta eficiência.
Ao descobrirem a “febre do castor”, no estados como Idaho e Utah, os cientistas Jodi Brandt e Nick Kolarik deicidiram investigar melhor o assunto. Brandt é uma pesquisadora da Universidade de Idaho e lidera uma equipe que usa os dados da NASA para quantificar o impacto dos castores nos ecossistemas locais. Com as informações que a agência espacial coleta sobre a água e a vegetação é possível quantificar as mudanças ao longo do tempo e melhorar os métodos de monitoria consistente de grandes áreas.
O monitoramento é financiado pelo Programa de Conservação Ecológica da NASA, Applied Sciences e conta com cientistas da Utah State University. Wally Macfarlane e Joe Wheaton desenvolveram a Beaver Restoration Assessment Tool (BRAT), uma ferramenta de avaliação para a restauração promovida pelos castores.
“Estamos construindo uma importante resiliência à seca e restaurando áreas de riachos. A NASA tem uma boa visão ao perceber como essas coisas se conectam”, completa Macfarlane.
A frota de missões de observação da Terra da NASA, como Landsat e Sentinel, coleta dados em grandes áreas do mundo, muitas vezes estação após estação. Os dados podem ser visualizados em tempo real ou rebobinados para ver como as coisas estavam semanas, meses e até anos atrás.
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