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Corrida das baterias para veículos elétricos demanda revolução na reciclagem

14/09/2023

Do Leste Asiático à Europa e à América do Norte, as empresas na cadeia de fornecimento de baterias estão investindo bilhões de dólares em capacidade de reciclagem, à medida que enfrentam a escassez projetada de matérias-primas que vão alimentar a próxima geração de veículos elétricos.
Mas, enquanto fabricantes de automóveis, produtores de baterias e mineradoras desenvolvem sua própria capacidade de reciclagem ou estabelecem parcerias com especialistas num esforço para tornar as cadeias de abastecimento mais seguras, mais ecológicas e, em última análise, mais lucrativas, ainda é preciso resolver aspectos fundamentais da indústria nascente.
"Neste momento, todos estão preocupados com o que fazer para montar todas as fábricas de baterias de que necessitamos", disse Andreas Breiter, que dirige o Centro para Mobilidade Futura da McKinsey na América do Norte. "Mas daqui a cerca de dez anos a questão será o que faremos com todas essas baterias quando elas voltarem."
Ainda não está claro qual é a química de baterias que prevalecerá na corrida global entre os produtores chineses CATL e BYD e seus rivais coreanos e japoneses, o que torna difícil saber quais processos de reciclagem serão necessários.
A incerteza também paira sobre a regulamentação futura, os preços dos materiais, as tecnologias de reciclagem e até mesmo sobre quem será o proprietário de uma bateria de VE (veículo elétrico) no final da sua vida útil —tudo isso terá influência no desenvolvimento da indústria e na viabilidade de modelos de negócio específicos.
"Há uma sensação de desordem na indústria porque ninguém passou por isso antes", disse Simon Linge, executivo-chefe da produtora e recicladora de materiais para baterias Lithium Australia.
"Haverá pessoas de quem nem sequer se fala hoje e que daqui a cinco ou dez anos emergirão como grandes atores no mercado."
A reciclagem de baterias, que normalmente envolve fundição, tratamento químico ou ambos, também tem seu próprio impacto ambiental, e os recicladores enfrentam o desafio de demonstrar que sua produção permanecerá mais verde e economicamente mais interessante do que a mineração dos materiais, dados os avanços nas técnicas de extração mais limpas.
Com poucas baterias de veículos elétricos já tendo atingido o fim de sua vida útil, as principais fontes de matéria-prima para os recicladores continuam sendo células de produtos de consumo como laptops, e "sucata" de fábricas de baterias.
A sucata de produção representará 53% da matéria-prima para recicladores de baterias em 2025, conforme projeções da McKinsey. Mas esse número cairá para 43% até 2030, 14% até 2035 e apenas 6% até 2040, à medida que mais VE forem vendidos —a Agência Internacional de Energia prevê que a frota global aumentará para 350 milhões de veículos até o final desta década.

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