UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Em 2020, grandes incêndios queimaram 30% do Pantanal

31/08/2023

Os incêndios de alta intensidade que atingiram o Pantanal em 2020 queimaram uma área de 44.998 quilômetros quadrados, o que corresponde a pouco mais de 30% do território do bioma na porção brasileira – com cerca de 150 mil km2, no total. O cálculo é de uma nova pesquisa publicada na revista científica Fire. O trabalho mostra uma região devastada bem maior do que as estimadas em levantamentos anteriores, que variaram de 14.307 km2 a 36.017 km2.
Liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estudo demonstra que o modelo construído com base em imagens de satélite da missão Sentinel-2 apresentou vantagens em relação a produtos operacionais disponíveis para o Pantanal, sendo capaz de refinar as estimativas de áreas queimadas em escala regional.
De acordo com o trabalho, a metodologia com o Sentinel-2 alcançou uma precisão em torno de 96%, podendo ajudar a melhorar a estimativa de gases e aerossóis associados à queima de biomassa.
A conclusão reforça a necessidade de desenvolver abordagens para melhorar os dados sobre os impactos do fogo em regiões criticamente sensíveis às mudanças climáticas, como o bioma em questão, permitindo avaliar a influência desses incêndios nos ecossistemas e na biodiversidade. A importância aumenta em meio aos alertas derivados da previsão de um forte fenômeno El Niño neste ano, que pode levar a parte norte do Pantanal e seu entorno na bacia do Alto do Paraguai a ficar mais seca e suscetível ao fogo.
“Os resultados da pesquisa não indicam que um modelo ou produto é pior ou melhor do que o outro. Temos variações metodológicas e, por isso, há divergências de estimativas. Mas as imagens provenientes do sensor MSI a bordo dos satélites Sentinel-2 apresentam dois pontos positivos: as resoluções espacial – com uma imagem de 10 metros, trazendo um detalhamento muito maior das áreas queimadas – e temporal, que é muito importante para esse tipo de estudo. Isso porque, enquanto alguns sensores, como os da série Landsat, levam até 16 dias para registrar uma área, ele reduz esse tempo para cinco dias”, afirma a engenheira florestal Andeise Cerqueira Dutra, doutoranda na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática (DIOTG-Inpe) sob a orientação do pesquisador Yosio Edemir Shimabukuro.
Uma das autoras do estudo juntamente com Shimabukuro, Dutra recebe apoio da FAPESP por meio de dois projetos.
Para o pesquisador da DIOTG-Inpe Guilherme Augusto Verola Mataveli, que também assina o artigo, é importante aprimorar esse tipo de análise e obter estimativas em escala regional não só para refinar a quantificação de áreas devastadas como também para calcular emissões de gases de efeito estufa, com impacto direto nas mudanças climáticas.
“A crise do fogo no Pantanal em 2020 foi ocasionada por um evento de seca extrema, que tende a ser cada vez mais frequente não só na região, mas em outras partes do Brasil. Ter mais conhecimento sobre o impacto dessas crises climáticas no bioma e sua biodiversidade será cada vez mais importante para tomar decisões ligadas a planos de manejo e programas de mitigação dos efeitos do fogo”, explica Mataveli, que desenvolve estudos apoiados pela FAPESP, parte no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais.
“Buscar meios para aprimorar esses produtos e gerar dados mais acurados tem grande importância para a sociedade. Um exemplo é o projeto-piloto lançado este ano, no Pantanal, que também utiliza dados de sensoriamento remoto para identificar áreas afetadas pelo fogo e estimar o acúmulo de material combustível, por exemplo. Além disso, os gestores de órgãos de meio ambiente e os brigadistas podem usar esses resultados para manejo integrado do fogo, definindo locais prioritários e ações de combate e controle de incêndios”, complementa Dutra.
Maior área úmida tropical do mundo, o Pantanal fica sazonalmente inundado, com a estação seca geralmente variando de julho a outubro (setembro é o mês considerado como o pico de incêndios na região).

Saiba mais clicando no CicloVivo

Novidades

Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença

02/07/2026

Uma coruja-jacurutu, considerada a maior espécie de coruja do Brasil, foi registrada no distrito de ...

Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia

02/07/2026

A temporada de baleias no litoral brasileiro começou antes do esperado em 2026. Pesquisadores já reg...

Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global

02/07/2026

Em junho, mês do Meio Ambiente, a Natura anunciou o lançamento de uma uma startup de Corporate Ventu...

Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo

02/07/2026

A floresta amazônica está alterando o seu funcionamento diante do aumento do calor e da escassez de ...

Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios

02/07/2026

O Ministério da Saúde apresentou nesta terça-feira (30) um painel de monitoramento e previsão de cal...