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Brasil tem áreas que já estão até 3°C mais quentes, aponta análise do Inpe

22/08/2023

Há regiões do Brasil em que a tendência de temperaturas máximas já está até 3°C acima do que era registrado na década de 1960, aponta uma análise do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgada nesta semana.
O trabalho compara a tendência de temperaturas máximas registrada na década de 1960 com a tendência de máximas no período 2010-2020.
Regiões do Norte e Nordeste apresentam uma concentração elevada de áreas com significativo crescimento da tendência de temperatura máxima.
Tal concentração ressoa outros estudos sobre os possíveis impactos da crise climática no Brasil. Por exemplo, uma pesquisa publicada em 2021 na revista Communications Earth & Environment (do grupo Nature) apontava que a crise do clima somada ao desmatamento da Amazônia poderia levar milhões de brasileiros ao estresse térmico, especialmente na região Norte.
Em 2022, novamente a Communications Earth & Environment publicou um estudo que mostrava que áreas tropicais e subtropicais, o Brasil entre elas, podem vivenciar temperaturas consideradas "perigosas" para a saúde humana pela maior parte do ano, com o avanço da crise do clima no século 21.
Por fim, recentemente, a partir de simulações em computador, a Nasa traçou como o planeta ficará com um aumento de 2°C na média da temperatura terrestre —em comparação à média de temperatura do período pré-industrial (1850-1900).
Entre as regiões mais afetadas do mundo aparecem o Norte e o Centro-Oeste brasileiros, com possibilidade de diminuições de chuva, perda da umidade relativa do ar e avanço do chamado "fire weather" (basicamente, risco de grandes incêndios).
A diferença é que tais estudos olham para o futuro, ressalta Lincoln Alves, climatologista do Inpe. "Não estamos falando de futuro [na análise], estamos falando de presente. As projeções já estão se confirmando antes do que era projetado", diz o pesquisador sobre o relatório que liderou.
Partes do Centro-Oeste, inclusive porções do Pantanal, constam no mapa criado pelo Inpe como áreas que tiveram aumento considerável na tendência de temperaturas máximas.
Vale lembrar que, nos últimos anos, o Pantanal, a maior planície alagável do mundo, vem enfrentando secas e incêndios devastadores. O bioma também perdeu uma fatia enorme de sua superfície d´água, segundo dados do MapBiomas Água.
O Acordo de Paris aponta que o mundo deve buscar limitar o aumento de temperatura média global a 2°C, em comparação à média de temperatura do período pré-industrial, mas, preferencialmente, ficando o aumento limitado a até 1,5°C. Atualmente, no mundo, a temperatura já aumentou 1,1°C.
Pode parecer quase nada, mas esses poucos graus Celsius de temperatura fazem uma grande diferença. O mês passado foi o julho mais quente já registrado na história.
E, segundo Alves, para várias regiões do Brasil, conforme a análise feita, o limite de 1,5°C pode já ter ficado para trás. O climatologista destaca que esse tipo de análise é importante para se pensar em medidas de adaptação para diferentes regiões do Brasil.
De toda forma, vale destacar que não é só a mudança climática global que explica os dados observados na análise do Inpe. O contexto regional também influencia, como processos de urbanização —que se intensificaram na segunda metade do século 20—, e mudança do uso do solo, ou seja, desmatamento, que, além de ser a maior fonte de emissões de gases-estufa do país, impacta o comportamento climático local.

Para ler a matéria completa basta clicar na Folha de S. Paulo

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