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A maior cratera de permafrost do mundo, na Rússia, ameaçada pelo aquecimento global

25/07/2023

Imagens impressionantes feitas por drones revelaram detalhes da cratera de Batagaika, uma fenda de um quilômetro de extensão no extremo oriente da Rússia que forma a maior cratera do mundo no permafrost —a camada de gelo que recobre a tundra siberiana.
O terreno na base da depressão é irregular, marcado por superfícies irregulares e pequenas colinas. O afundamento começou a se formar na décadas 1960, após o desmatamento da floresta que existia ao redor e o derretimento do permafrost subterrâneo, o que fez o solo ceder.
"Nós, que moramos aqui, chamamos isso de ´desmoronamento´", disse o morador local e explorador de crateras Erel Struchkov à agência de notícia Reuters, enquanto estava na borda da cratera. "Ele se desenvolveu na década de 1970, primeiro como uma ravina. Depois, com o derretimento sob o calor dos dias ensolarados, começou a se expandir."
Cientistas afirmam que a Rússia está aquecendo pelo menos 2,5 vezes mais rápido do que o resto do mundo, derretendo a tundra congelada que cobre cerca de 65% do território do país e liberando gases de efeito estufa armazenados no solo descongelado.
O "portal para o submundo", como alguns moradores da República de Sakha, na Rússia, também o chamam, tem um nome científico: mega-slump (megadepressão, em tradução livre).
Embora possa atrair turistas, a expansão do declínio é "um sinal de perigo", disse Nikita Tananayev, pesquisador líder do Instituto de Permafrost Melnikov em Yakutsk. "No futuro, com o aumento das temperaturas e com maior pressão antropogênica, veremos cada vez mais desses mega-slumps se formando, até que todo o permafrost desapareça", disse Tananayev.
O degelo do permafrost já ameaçou cidades e vilas em toda a região norte e nordeste da Rússia, causando o afundamento de estradas, rachaduras em casas e interrupção de oleodutos. Incêndios florestais extensos, que se intensificaram nas últimas temporadas, agravam o problema.
Os moradores de Sakha têm observado o rápido crescimento da cratera. "Há dois anos, a borda estava cerca de 20 ou 30 metros distante daqui. E agora, aparentemente, está muito mais próxima", disse Struchkov.
Os cientistas não têm certeza da taxa exata com a qual cratera de Batagaika está se expandindo. Mas Tananayev diz que o solo abaixo da depressão, que tem cerca de 100 metros de profundidade em algumas áreas, contém uma "enorme quantidade" de carbono orgânico —que será liberado na atmosfera à medida que o permafrost derrete, alimentando ainda mais o aquecimento do planeta.
"Com o aumento da temperatura do ar, podemos esperar que [a cratera] se expanda a uma taxa mais rápida", disse ele. "Isso levará a um aquecimento climático cada vez maior nos próximos anos."

Fonte: Folha de S. Paulo

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