
25/07/2023
A China tem uma resposta às ondas de calor que estão atingindo boa parte do hemisfério norte: queimar mais carvão para manter um suprimento estável de eletricidade para ar-condicionado.
Mesmo antes deste ano, a China já estava emitindo quase um terço de todos os gases estufa mundiais relacionados à energia —mais que Estados Unidos, Europa e Japão somados. A China queima mais carvão todo ano que o resto do mundo somado. No mês passado, a China gerou 14% mais eletricidade via carvão, sua fonte principal de energia, do que em junho de 2022.
A capacidade do país de elevar o consumo de carvão nas últimas semanas é o resultado de uma campanha nacional enorme nos últimos dois anos para ampliar as minas e construir mais usinas elétricas movidas a essa fonte de energia.
A mídia estatal louvou os mil trabalhadores que labutaram sem férias nesta primavera para aprontar uma das maiores usinas elétricas movidas a carvão no sudeste do país a tempo para o verão.
O paradoxo da política energética chinesa é que o país também lidera globalmente a instalação de fontes de energia renováveis. Ele domina a maior parte da cadeia de fornecimento global de energia limpa —de painéis solares à armazenagem de baterias e carros elétricos. No entanto, por razões de segurança energética e política interna, está reafirmando sua aposta no carvão.
Após três dias de negociações em Pequim, John Kerry, o enviado climático do presidente Joe Biden, disse na quarta-feira (19) que o programa de carvão da China foi a questão mais espinhosa. "A questão agora é como abandonar parte dessa dependência do carvão", ele disse.
Os Estados Unidos, que emitem menos gases-estufa que a China, estão seguindo um rumo diferente. O país não constrói uma usina elétrica movida a carvão há uma década e reduziu seu uso de carvão quase pela metade, aumentando o consumo de gás natural.
Nenhum país possui reservas subterrâneas de carvão tão grandes quanto a China, cujas autoridades enxergam o suprimento doméstico como sendo essencial para sua segurança energética. Zhang Jianhua, diretor da Administração Energética Nacional do governo, descreveu o carvão como a "pedra de lastro" da matriz energética de seu país.
"Sempre devemos encarar a proteção da segurança energética nacional como a missão mais importante", disse em entrevista coletiva.
O líder máximo chinês, Xi Jinping, afirmou em abril de 2021 que seu país iria "controlar rigidamente os projetos elétricos à base de carvão, controlar rigidamente o aumento do consumo de carvão" até 2025 e depois "reduzi-lo gradualmente" nos cinco anos seguintes.
Em meados de setembro de 2021, ele proibiu, em ato separado, quaisquer contratos adicionais de construção chinesa de usinas elétricas movidas a carvão em outros países.
Uma semana mais tarde, no final de setembro de 2021, o tempo quente sobrecarregou a rede elétrica chinesa e provocou apagões consecutivos em toda a costa do país. Funcionários tiveram apenas alguns minutos de aviso prévio para saírem de altos edifícios comerciais antes de os elevadores deixarem de funcionar. Um apagão repentino numa fábrica química provocou uma explosão que deixou dezenas de trabalhadores feridos.
A debacle levou a um esforço emergencial para aumentar a extração de carvão e construir mais usinas elétricas movidas a carvão. A invasão russa da Ucrânia e a suspensão subsequente do fornecimento de energia russa à Europa intensificou a determinação de Pequim de depender do carvão como a base de sua segurança energética.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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