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A transição verde não acontecerá sem financiamento para os países em desenvolvimento

22/06/2023

Na semana passada, discuti a terrível situação financeira dos países mais pobres. A "cúpula para um novo pacto financeiro global" desta semana em Paris oferece uma oportunidade para lidar com esse desafio. Também apresenta a chance de fazer os investimentos necessários para uma transição para uma economia de baixas emissões.
Esse é o ponto central de um novo documento de Avinash Persaud, que aconselhou a primeira-ministra Mia Mottley, de Barbados, sobre a influente Agenda de Bridgetown para a Reforma da Arquitetura Financeira Global. Em "Desbloqueando a transformação verde nos países em desenvolvimento com uma garantia parcial de câmbio", ele analisa como disponibilizar financiamento acessível suficiente para projetos de energia renovável em países emergentes e em desenvolvimento, questão também considerada no relatório do grupo de especialistas do ano passado, Finanças pela Ação Climática.
Nos últimos 270 anos, a Europa e a América do Norte contribuíram com mais de 70% do estoque antropogênico de gases de efeito estufa. Isso também esgotou quase todo o orçamento de carbono do planeta. Mas hoje os países emergentes e em desenvolvimento geram cerca de 63% das emissões, porcentagem que tende a crescer. Conclui-se que não só deve haver grandes cortes nas emissões, mas uma grande parte desses cortes, particularmente em relação à tendência, deve ser feita por países emergentes e em desenvolvimento. Para conseguir isso, o investimento na transição verde nesses países (exceto a China) precisa atingir cerca de US$ 2,4 trilhões por ano (6,5% do produto interno bruto) até 2030.
Nos países de alta renda, 81% do investimento verde são financiados pelo setor privado. Nos países emergentes e em desenvolvimento, a participação privada é de apenas 14%. É altamente improvável, mesmo com um resultado bem-sucedido na cúpula desta semana, que a assistência externa oficial também o consiga. Como observa Persaud, "o gasto global com ajuda é inferior a um décimo do custo da transformação verde". Além disso, "os países em desenvolvimento não têm espaço em seus balanços patrimoniais para a dívida necessária, mesmo que eles próprios desejem financiá-la".
A solução é garantir financiamento privado para projetos potencialmente lucrativos, que representam cerca de 60% dos investimentos necessários, sendo o restante para coisas como adaptação. Esta não trará retornos financeiros diretos e, portanto, deve ser financiada por assistência oficial. Mas, observa Persaud, mesmo onde os projetos são financiáveis, em teoria, os custos de juros punitivamente altos para empréstimos privados a países emergentes e em desenvolvimento são obstáculos proibitivos. Assim, para uma fazenda solar semelhante, o custo médio dos juros nos principais países emergentes é proibitivo, de 10,6% ao ano, contra apenas 4% na UE.
No entanto, argumenta Persaud, a causa desse enorme spread não é o risco específico do projeto. Uma fazenda solar, enquanto fazenda solar, não é mais arriscada na Índia do que na Alemanha. Mais que tudo, o prêmio de risco representa estimativas de mercado de riscos macroeconômicos (especificamente, cambiais e de inadimplência). Ele também argumenta que esses riscos não são apenas exagerados, como também cíclicos: em períodos "com risco", o pagamento a maior do seguro é menor do que nos períodos "sem risco".

Termine de ler o artigo na Folha de S. Paulo

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