
20/06/2023
Na última quinta-feira dia 15, véspera do Dia Internacional da Tartaruga Marinha, uma cena triste envolvendo esses animais e que vai contra todo o simbolismo da data, foi registrada por banhistas em uma Área de Preservação Ambiental (APA) na Serra, na Grande Vitória: oito tartarugas foram encontradas presas em uma rede de pesca, foram resgatadas e liberadas para o mar.
Esse caso, em que os animais foram resgatados com vida, infelizmente nem sempre acontece. Na maioria das vezes, as tartarugas são encontradas já mortas. Um projeto que cuida do monitoramento das praias no Espírito Santo divulgou que de janeiro até o dia 15 de junho deste ano, quase 600 animais já foram achados mortos.
No vídeo desta quinta, é possível ver os banhistas na Praia de Bicanga tentando tirar as tartarugas no meio de uma rede enquanto os animais se debatem. Uma moradora filma e comenta indignada a cena, enquanto outros conseguem tirar os animais e colocar de volta no mar.
"Nossa Senhora do Céu, olha só! Que malvadeza! Coitadas! Mas nós salvamos", contou uma banhista que estava na praia e ajudou no resgate.
Os moradores precisaram usar até uma faca para conseguir tirar os animais presos na rede. Em uma das tartarugas resgatadas, um morador chega a tirar parte da rede da boca do animal.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Serra disse que recebeu a denúncia e constatou que a rede estava irregular e que tinha sido colocada sobre recifes, a aproximadamente 60 metros da faixa de areia.
Ainda segundo a prefeitura, sete tartarugas estava bem e foram soltas na hora. Uma última engoliu muita água, mas os moradores conseguiram reanimá-la e também foi solta na praia.
A prefeitura reforçou que o ato é considerado um crime e está previsto na lei.
Segundo dados da Ambipar Environmental Response, atual responsável pela execução do projeto realizado pela Petrobras de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e do Espírito Santo (PMP-BC/ES), quase 600 tartarugas foram encontradas mortas no Espírito Santo de janeiro até o dia 15 de junho.
Do total de 639 resgates, apenas 43 animais foram encontrados vivos, o que representa apenas 7% das ações de resgate. Ou seja: 93% das tartarugas acabam morrendo.
Em março desse ano, uma tartaruga foi encontrada morta dentro de uma mochila em uma Área de Preservação Ambiental em Vitória. Dentro do estômago do animal tinha até balão de aniversário.
A espécie que mais foi encontrada morta no estado foi a tartaruga-verde, com 497 registros.
Em 2022, o projeto registrou 1.898 ocorrências com tartarugas marinhas, sendo 1.763 mortas e 135 vivas.
Fonte: g1
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