
11/05/2023
Para além da produtividade agrícola —uma aliada conhecida do combate ao desmatamento, à medida que inibe a expansão de terras—, o Banco Mundial propõe a produtividade urbana na Amazônia como estratégia para desacelerar o desmate, promovendo, ao mesmo tempo, desenvolvimento regional e nacional.
O memorando econômico "Equilíbrio Delicado para a Amazônia Legal Brasileira", publicado na terça-feira (9) pelo Banco Mundial, destaca ainda o valor da floresta amazônica mantida em pé, sete vezes superior ao da exploração.
"O desmatamento coloca em risco o valor da floresta em pé no Brasil, estimado em mais de US$ 317 bilhões (R$ 1,5 trilhão) por ano —o que equivale a até sete vezes mais que o valor estimado da exploração privada ligada à agricultura extensiva, à exploração madeireira ou à mineração", afirma o relatório, citando pesquisa publicada pelo economista Jon Strand, também do Banco Mundial.
Enquanto o uso direto de recursos da floresta para exploração madeireira, mineração e agropecuária gera valores anuais privados que vão de US$ 43 bilhões até US$ 98 bilhões, os valores públicos regionais e globais gerados pela proteção ambiental somam US$ 317 bilhões.
O valor é calculado a partir dos serviços ecossistêmicos prestados pela floresta, como a geração de chuvas, necessárias para a agricultura da região, a proteção contra a erosão do solo e os incêndios, o armazenamento de carbono, que ajuda a regular o clima global, e a conservação da biodiversidade.
Segundo a mesma pesquisa, só os benefícios que abrangem a América do Sul já são estimados em até US$ 20 bilhões anuais.
O estudo recomenda "investir em infraestrutura urbana para reduzir as disparidades no padrão de vida em polos econômicos e de serviços", com objetivo de aumentar a competitividade das cidades como polos econômicos regionais.
"Uma ênfase maior na produtividade, principalmente em outros setores (que não estejam ligados à produção de commodities), impulsionaria o desenvolvimento em todo o país e ajudaria a fortalecer as economias da Amazônia, ao mesmo tempo que diminuiria a pressão sobre as florestas naturais", afirma Johannes Zutt, diretor do Banco Mundial para o Brasil.
O estudo identificou 20 potenciais polos econômicos na Amazônia Legal, definidos com base em critérios como população, distância e a atratividade de pelo menos outras cinco cidades.
Além das nove capitais dos estados da Amazônia Legal, os polos econômicos incluem a capital do Piauí, Teresina (que fica próxima à divisa com o Maranhão), e outras dez cidades de maior porte econômico da região.
"Belém, Imperatriz, Palmas, São Luís e Teresina parecem ter os melhores recursos espaciais, pois estão em municípios muito mais próximos dos mercados e apresentam densidades populacionais mais elevadas", descreve o estudo.
"Boa Vista, Macapá, Manaus e Rio Branco têm densidade populacional relativamente densa, mas fazem parte de municípios periféricos; portanto, requerem políticas diferentes", ressalva o estudo.
A pesquisa observa também que "os polos econômicos propostos parecem ter uma maior participação de universitários recém-graduados, o que também é um dos fatores-chave para o crescimento da produtividade urbana na Amazônia Legal".
Segundo o estudo, os polos econômicos seriam fundamentais para fomentar o crescimento da produtividade urbana da região, assim como outros polos, voltados à prestação de serviços.
Embora concentrem três quartos da população regional, as cidades amazônicas são densas e ocupam apenas 0,03% da Amazônia Legal. O desenvolvimento urbano não está intrinsecamente atrelado ao desmatamento, cujo crescimento nos perímetros urbanos da Amazônia está ligado às cadeias de valor, principalmente a agrícola, e à infraestrutura logística, em que se destaca o impacto das rodovias de conexão com o resto do país.
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