
11/04/2023
Um grupo formado por professores e alunos das Fatecs (Faculdade de Tecnologia de São Paulo) do Tatuapé, na zona leste da capital paulista, e de Jaú, no interior do estado, estão participando da construção de três embarcações que farão parte de um programa que pretende confirmar que o Amazonas, com cerca de 7.000 km, é o rio com a maior extensão no mundo.
Um estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de 2008, aponta que o Amazonas chega a 6.992 km, superando o tamanho do rio Nilo. O rio que cruza o Egito e o Sudão tem 6.852 km de extensão.
Os barcos serão usados no programa Rio Amazonas — do Gelo ao Mar. Além de buscar a confirmação científica de que o rio é o mais extenso do planeta, a expedição vai catalogar a biodiversidade local defendendo o uso de energia limpa.
A expedição coordenada pelo navegador Yuri Sanada partirá do rio Mantaro, nascente recém-descoberta no Peru, indo até o Oceano Atlântico, em abril de 2024.
"Sempre quis fazer um projeto diferenciado, mais científico, na Amazônia, e mostrar a realidade. [O rio Amazonas] tem muitas áreas inexploradas, então a intenção do projeto é percorrer inteiro e fazer a documentação da biodiversidade ao longo do trajeto", diz Sanada.
O principal desafio dos envolvidos na iniciativa é montar barcos resistentes com materiais acessíveis e sustentáveis.
"Participar de um projeto desse porte ajuda os alunos, principalmente na visualização da aplicação de forma prática dos conhecimentos adquiridos nas aulas", diz Alex Almeida Prado, 44, professor de construção naval da Fatec Jahu.
Além dos professores, o programa tem a participação de dois alunos do curso superior tecnológico de construção naval e outros cinco estudantes dos cursos da área naval da Fatec Jahu.
"Contatamos os alunos para trabalharem com PBL (do inglês Problem-Based Learning), aprendizagem por meio de problema. A gente apresenta o problema para os alunos, eles fazem uma pesquisa mais aprofundada, vão a campo e propõem soluções. A partir de um problema real, eles aplicam a teoria aprendida em sala de aula", explica Flávio Ventura, 43, professor da disciplina de projeto de produto.
O trabalho de construção dos barcos será dividido entre as duas Fatecs. Prado vai coordenar a montagem do casco e do motor, enquanto outros dois professores ficarão com o desenvolvimento do assento e do pedal das embarcações.
"Uma das questões principais é tentar fabricar de maneira mais limpa possível. Já tem a energia solar e a produção da energia através da pedalada, além dos materiais que serão utilizados no desenvolvimento do casco. A ideia é usar o máximo de material alternativo", diz Rosângela Monteiro dos Santos, 39, professora de ergonomia no curso de gestão de produção industrial da Fatec Jahu.
As embarcações serão do tipo trimarã, compostas de três cascos —um maior no meio e dois menores ao lado— feitos com fibras naturais, como cânhamo e juta, e resina vegetal à base de óleo de mamona. Serão movidos a energia solar e também por meio de pedais.
"Estamos vendo até que ponto a gente pode usar esses tipos de materiais ecológicos mantendo a segurança. É uma navegação longa, de quase 7.000 km, com apoio a cada 30 dias em regiões inóspitas. Temos a preocupação de usar materiais que já exista um certo conhecimento do comportamento deles. Os que a gente não tem ainda, estamos fazendo testes de resistência", diz Prado.
Por causa da duração da expedição, os professores estão trabalhando em protótipos para encontrar uma forma de adaptar o assento às necessidades da jornada.
A matéria pode ser lida na íntegra na Folha de S. Paulo
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