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Leão que morreu no ES será o primeiro na América a passar por plastinação e ficar exposto em museu

30/03/2023

O corpo do único leão no Espírito Santo, que morreu no último sábado (25), foi levado para a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) na segunda-feira (27) para ser plastinado e ficar exposto no Museu de Ciências da Vida (MCV), em Vitória. Sansão vai ser o primeiro leão das Américas que passará pelo processo de plastinação. A plastinação é um método de preservação de espécimes biológicos que procura deixá-los o mais próximo de sua aparência em vida.
Segundo o professor Athelson Bittencourt, coordenador do museu, o processo todo deve demorar cerca de dois anos e, no mínimo, 20 pessoas vão participar da plastinação.
O leão vai ser estudado, plastinado e, posteriormente, colocado em exposição. Tudo isso para ajudar na difusão e popularização do animal, além de manter viva a memória de Sansão, que trouxe tantas alegrias às pessoas que visitavam o Zoo Park, em Marechal Floriano.
A ligação entre o zoológico e a Ufes foi realizada por meio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), que recomendou ao Zoo Park da Montanha a doação do corpo do animal para a universidade. Segundo o coordenador do MCV, Athelson Bittencourt, o corpo de Sansão encontra-se em excelente estado para ser plastinado.
O processo deve começar daqui a quatro meses. O professor explicou que o início do processo para dissecar o animal também depende de recursos.
"Ontem (segunda-feira), ele foi embalsamado e hoje (terça-feira) continuará este processo. Quando finalizado, o leão ficará 4 meses no formol. Para dissecá-lo, é necessário conhecimento anatômico especializado, para um trabalho minucioso", afirmou o professor.
A plastinação é uma técnica de conservação de corpos e tecidos biológicos na qual os fluidos de um cadáver são substituídos por silicone ou resina.
De acordo com o professor, os procedimentos adotados em animais são os mesmos utilizados para seres humanos: em um primeiro momento, é feita a fixação para estabilização dos tecidos, ocasião em que o corpo fica mergulhado em formol. Em seguida, ele passa pelos processos de desidratação com banhos de acetona, seguido da impregnação por silicone, epóxi ou poliéster. A última etapa, chamada de cura, consiste na utilização de uma substância para endurecer a peça.
Bittencourt explicou ainda que esta técnica evita que sejam usados conservantes tóxicos e de odor desagradável para a preservação do espécime, além de elevar a durabilidade das peças, característica útil para as atividades de pesquisa, ensino e expositivas (nas áreas de Anatomia, Biologia e correlatas).
Corpos de animais já foram inteiramente plastinados na Alemanha e na China. Bittencourt ressalta que o Laboratório de Plastinação do MCV é, até o momento, o primeiro e único local em que se utiliza a técnica para animais no Brasil.
“Já plastinamos vários animais de pequeno e médio portes. Animais de grande porte - como onça, anta, veado e agora o leão - já se encontram no Laboratório de Plastinação da Ufes e estão prestes a serem feitos, dependendo apenas da captação de recursos financeiros para isso”, disse o coordenador
Metade do leão vai ficar inteira e metade será dissecada, para que possam ser exibidos seus órgãos e se entenda o funcionamento de seu corpo. Após a dissecção, entra o processo de plastinação, que será finalizada com um procedimento de pintura recentemente desenvolvido na Ufes.

Saiba mais no g1

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