
28/02/2023
Quando nos deparamos com eventos climáticos extremos, como a chuva que atingiu o Litoral Norte de São Paulo, as ondas de calor na Argentina ou a seca na Europa, fica evidente que a crise climática deixou de ser um alerta e se tornou uma realidade que precisamos combater urgentemente.
Além de ações para evitar as mudanças climáticas, é preciso prever e se preparar para os eventos climáticos extremos. Um novo relatório da Cross Dependency Initiative (XDI) analisou como o aumento de eventos climáticos extremos e outros impactos climáticos podem ameaçar infraestrutura importante em mais de 2.600 estados e províncias em todo o mundo até 2050. O objetivo do relatório é ajudar líderes empresariais e políticos a tomar decisões acertadas no contexto da crise climática.
O estudo aponta que os EUA, a China e a Índia são os países que concentram as regiões de maior risco. Brasil, Paquistão e Indonésia também foram citados como países que possuem províncias e Estados dentro do ranking das 50 localidades mais expostas aos eventos climáticos extremos.
A análise revela que tanto as inundações no interior quanto as costeiras representam os maiores riscos para a infraestrutura física. O relatório também examinou os perigos do calor extremo, incêndios florestais, movimento do solo, vento extremo e degelo.
Os pesquisadores afirmam que esta é a mais abrangente análise de dados deste tipo: foram usados dados sobre os danos reais e previstos para o período de 1990 a 2050. Os cientistas usaram como base um cenário climático “pessimista” do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que previu o que aconteceria se as temperaturas atingissem três graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até final do século.
No geral, descobriu que a Ásia, e a China em particular, seriam os mais afetados com 114 das 200 regiões de maior risco. Para a China, as regiões de maior risco foram principalmente ameaçadas pelo aumento do nível do mar e inundações.
“Em termos de escala geral de risco de danos e em termos de escalada de risco, a Ásia tem mais a perder com o aumento do clima extremo das mudanças climáticas e mais a ganhar com a prevenção do agravamento das mudanças climáticas e a aceleração do investimento resiliente ao clima”, CEO da XDI Rohan Hamden disse, como o Independent relatou.
Depois da China, os Estados Unidos são o país com os estados mais ameaçados em geral. A Flórida foi a mais ameaçada e ficou em 10º lugar no geral, com a Califórnia em 19º, Texas em 20º e Nova York em 46º, de acordo com o XDI. O aumento do nível do mar também foi uma grande ameaça para muitos estados dos EUA.
A Índia tinha nove regiões ameaçadas no top 50, de acordo com a Reuters. Juntos, Índia, China e Estados Unidos representam 80% da lista dos 50 primeiros, disse a XDI.
Com os principais centros industriais e econômicos da China e dos Estados Unidos entre as regiões mais vulneráveis do mundo, os dados ressaltam a necessidade urgente dos governos se concentrarem na descarbonização e em medidas de adaptação, como proteção contra enchentes – e mostram que as consequências econômicas das mudanças climáticas podem ser graves e generalizadas.
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