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Viver próximo à natureza pode retardar Alzheimer e Parkinson

13/02/2023

Andar em trilhas e parques, sentir o cheiro do mato, ouvir os pássaros e contemplar os patos e gansos de um lago. Viver em uma área com fácil acesso a parques e rios pode contribuir para reduzir as hospitalizações relacionadas a doenças neurodegenerativas, tais como: Parkinson, Alzheimer e demências relacionadas.
A constatação é de um novo estudo que revisou os registros hospitalares de quase 62 milhões de membros do Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos, entre 2000 e 2016. Dos mais de 60 milhões de norte-americanos analisados, cerca de 55% eram mulheres e cerca de 84% eram brancos. Todos tinham entre 65 e 74 anos de idade quando entraram no grupo de estudo.
O foco da pesquisa não foi avaliar o risco inicial dos participantes desenvolverem alguma das doenças neurológicas, mas sim a progressão de tais doenças. A conclusão foi que o aumento da exposição à natureza pode diminuir as chances das patologias progredirem rapidamente.
O estudo também revelou que a quantidade de áreas verdes faz diferença: quanto mais verde é o ambiente ao redor de um idoso, menor o risco de hospitalização por qualquer doença neurológica.
Ao longo dos 16 anos do estudo, quase 7,7 milhões foram hospitalizados por Alzheimer ou outras formas de demência, e quase 1,2 milhão foram hospitalizados por Parkinson. Os pesquisadores compararam o CEP de cada paciente com o impacto de três tipos diferentes de ambientes naturais: parques, cursos de água e a quantidade de vegetação geral presente, como árvores, plantações ou grama.
No caso do Alzheimer, não foram encontradas evidências de menor hospitalização entre os que viviam em áreas com mais parques e cursos de água, mas o risco caiu entre os que viviam em áreas com mais vegetação em geral.
Já em relação à doença de Parkinson, os resultados foram mais promissores. Todos os tipos de natureza – vegetação, parques e lagos, rios ou à beira-mar – foram relacionados ao menor risco de hospitalização.
Apesar de constatar o potencial benefício da natureza de evitar uma primeira visita ao hospital, entre os que possuem doenças neurodegenerativas, o foco do estudo não foi encontrar os motivos desta associação. No entanto, o principal autor Jochem Klompmaker, pesquisador de pós-doutorado na Harvard School of Public Health, em Boston, ressalta que pesquisas anteriores mostraram que ambientes naturais – como florestas, parques e rios – podem ajudar a reduzir o estresse.
Pablo Navarrete-Hernandez, professor de arquitetura paisagística na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, que revisou as descobertas, concorda com a teoria. “Pesquisas mostram que os espaços verdes desencadeiam emoções positivas das pessoas, como a felicidade, e reduzem as emoções negativas, como a raiva, todas relacionadas a níveis mais baixos de estresse”, diz. “Experiências de laboratório também mostram que a exposição à natureza após eventos estressantes ajuda a reduzir as respostas do corpo ao estresse”, completa.
Para o especialista, tais fatos podem ter uma relação direta com o desenvolvimento de Alzheimer, uma vez que estudos já indicaram que altos níveis de cortisol reduzem o volume do hipocampo, uma área do cérebro crítica para controlar a resposta do corpo ao estresse e executar funções essenciais de memória.
“Além disso, os ambientes naturais fornecem ambientes para atividades físicas e interações sociais e podem reduzir a exposição à poluição do ar, calor extremo e ruído do tráfego”, afirma Klompmaker. Fatores que indiretamente podem estar associados a doenças que atacam o sistema nervoso. Há, por exemplo, pesquisas que associam a poluição do ar a um maior risco de Alzheimer e demência.
Por fim, quem vive próximo a espaços mais verdes tende a ser mais ativo fisicamente. No caso do Parkinson, a atividade física é um fator importante para preservar a função motora a longo prazo.
Resumindo, os benefícios da natureza para quem sofre com Alzheimer e/ou Parkinson estão na redução da exposição à poluição do ar, ao ruído, ao calor e ao estresse; melhor capacidade de concentração e facilitação de comportamentos saudáveis, como atividade física e interação social.

As descobertas do estudo podem ser lidas no CicloVivo

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