
13/02/2023
Na primeira reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden como presidentes do Brasil e dos EUA, realizada na Casa Branca, em Washington, nesta sexta-feira (10), o petista convidou o líder americano para discutir um mecanismo de governança global que force os países a acatar decisões na área climática.
Em declarações dadas na presença de jornalistas no Salão Oval, os dois líderes destacaram a importância da preservação ambiental e reforçaram a necessidade de fortalecer instituições em defesa da democracia.
"A questão climática, se não tiver uma governança global forte e que tome decisões que todos os países sejam obrigados a cumprir, não vai dar certo", afirmou o petista ao democrata. "Não sei qual é o fórum, não sei se na ONU, não sei se é no G20, não sei se é no G8, mas alguma coisa temos que fazer para obrigar os países, o nosso Congresso, os nossos empresários a acatar decisões que tomamos em nível global."
Já Biden, na toada de retomada dos elos entre os países após dois anos dormentes, disse ver o Brasil como "parceiro natural para enfrentar os desafios atuais, globais e em especial as mudanças climáticas".
A reunião a sós entre Lula e Biden estava programada para durar apenas 15 minutos, mas a conversa levou cerca de 50. De lá, eles tiveram uma reunião ampliada, com a comitiva ministerial que acompanha o petista e parte do gabinete do democrata. Em clima caloroso, bem diferente do encontro que teve com Jair Bolsonaro no ano passado, Biden disse a Lula ser "uma honra recebê-lo de volta na Casa Branca".
Nas declarações iniciais, o presidente brasileiro, assim como já havia feito em viagem à Argentina, em janeiro, criticou Bolsonaro diversas vezes, ainda que outra vez não tenha citado o nome do rival. "Tivemos um presidente que mandava desmatar, mandava garimpeiros entrarem em áreas indígenas, mandava garimpar nas florestas que demarcávamos como reserva na Amazônia", afirmou Lula.
Ambos os presidentes foram vítimas de tentativas de golpe por parte de apoiadores de seus antecessores, que negavam os resultados das eleições —em 6 de janeiro de 2021 em Washington e em 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Assim, a defesa da democracia virou um tema de conexão entre os dois líderes.
"Temos alguns problemas para trabalhar juntos: nunca mais permitir que haja um novo capítulo do Capitólio e que nunca mais haja o que aconteceu no Brasil", disse Lula. Biden iniciou sua fala dizendo que as "duas nações são democracias fortes que foram duramente testadas —e prevaleceram".
Quando o petista disse que o dia de Bolsonaro "começava e terminava com fake news", Biden afirmou que a descrição soava familiar, em comentário referente a Donald Trump, o que gerou risadas na sala.
Lula chegou à Casa Branca às 17h50, no horário de Brasília, e cumprimentou o presidente americano com um aperto de mãos que simbolizou a reaproximação entre Brasil e EUA após dois anos de tensões.
Ele chegou acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e foi recebido pelo presidente americano no jardim dos fundos da Casa Branca. Jill Biden, mulher do democrata, tomaria um chá com Janja, mas a agenda foi cancelada porque a americana não estava se sentindo bem —ela fez um teste para Covid, e o resultado foi negativo. Janja então fez um tour pela Casa Branca enquanto os presidentes se reuniam.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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