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Janelas com camada de água ajudam a controlar o calor

09/02/2023

No calor, é preciso resfriar os ambientes. No frio, precisamos de ambientes mais quentes. Para isso, muita energia elétrica é gasta. Mas, algumas soluções usam elementos naturais para resolver esta equação. É o caso dos painéis de vidro criados pela startup britânica Water-Filled Glass. As janelas são feitas com camadas de água que usam a luz solar para alimentar um sistema que ajuda a equilibrar a temperatura e economizar energia.
Fundada em 2020 pelo professor de arquitetura da Universidade de Loughborough, Matyas Gutai, Daniel Schinagl e Abolfazl Ganji Kheybari, a Water-Filled Glass (WFG) usa uma tecnologia patenteada para trazer mais sustentabilidade aos edifícios envidraçados.
Uma fina camada de água entre os vidros das janelas, absorve o calor da luz solar ou de outra fonte, como o calor que sai de uma sala. Esta água aquecida é bombeada em tubos de baixa pressão para áreas mais frias do edifício, através de um sistema de piso ou para armazenamento térmico. Capaz de aquecer água até temperaturas de cerca de 40 graus Celsius, a tecnologia pode ser ligada a uma bomba de calor ou caldeira convencional.
Em linhas gerais, o calor é absorvido pela água que então é direcionada para ambientes mais frios que são aquecidos – um sistema que pode reduzir as contas de energia em cerca de 25%, segundo a empresa.
Ao absorver o calor que entra no edifício através das janelas, a necessidade de ar condicionado cai em climas quentes. Em climas mais frios, o sistema usa janelas de painel triplo, com uma cavidade externa preenchida com isolamento de argônio para evitar que a água congele durante o inverno. E o isolamento também ajuda a reduzir o uso da calefação.
“Quando você pensa na energia dos edifícios e na redução das emissões de carbono, o vidro é responsável por grande parte do consumo de energia de aquecimento e resfriamento e é um material presente em quase todos os edifícios”, explica Gutai. “Mesmo que a ideia de colocar água nas janelas pareça um pouco maluca de cara, acho importante pensar em alternativas para o que temos. Portanto, temos ideias malucas, mas não somos malucos”, brinca o professor.
A WFG estima que, dependendo do clima e da proporção janela-parede de um edifício, sua tecnologia pode reduzir as contas de energia em cerca de 25% em comparação com as janelas padrão.
Como o sistema usa vidro e peças comuns, a WFG afirma que não aumenta muito o impacto do carbono incorporado da construção, além de ser fácil de fabricar.
A empresa também insiste que seu sistema não tem impacto na estética do edifício por dentro ou por fora, já que a água absorve a maior parte da energia da parte do espectro de luz que é invisível para os humanos.
Os primeiros projetos comerciais da startup, um prédio industrial na Hungria e um residencial nos Estados Unidos, já estão em construção. Ela completou dois edifícios protótipos usando a tecnologia, chamados Water House 1.0 e Water House 2.0– o primeiro uma pequena cabana na Hungria e o último um pavilhão na Universidade Feng Chia em Taiwan.
“Queríamos realmente dar aos arquitetos a oportunidade de construir edifícios totalmente envidraçados, se quiserem, sem comprometer a sustentabilidade”, conta Gutai.
Um dispositivo de monitoramento é instalado para limpar a água automaticamente, com verificações de manutenção necessárias uma vez por ano. A WFG também desenvolveu uma versão adaptável de seu produto, onde o sistema pode ser instalado atrás de vidros existentes sem a necessidade de destruir as janelas já instaladas.

Fonte: CicloVivo

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