
09/02/2023
Uma exposição inédita sobre o complexo e fascinante universo dos fungos vai estar aberta gratuitamente ao público até o dia 26 de março, no Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro. A mostra Simbiose – A conexão pelos fungos é uma criação da Deeplab Project, estúdio que integra design e tecnologia para criar experiências.
“Falar de fungos é abordar a coletividade, a conexão em redes, a transformação na natureza e pela natureza. Estamos entrelaçados, assim como os fungos em suas redes miceliais, responsáveis por nutrir cogumelos e facilitar a comunicação entre espécies vegetais. Essa grande membrana quimicamente sensível, que permite a conexão entre as partes, mesmo a centenas de metros de distância, é uma bela demonstração de como nossas ações têm o poder de impactar o todo, e como o todo nos impacta”, explica Eduardo Carvalho, curador da mostra.
A experiência tem como objetivo impactar o visitante sobre sua relação com o planeta. Logo na chegada, um vídeo manifesto traz a mensagem dos fungos aos visitantes na voz do ator Eriberto Leão. Depois, o público transita por dois grandes temas – “O que fazem os fungos” e “O que fazemos com o fungo”. A primeira temática é abordada por uma projeção mapeada de 8 metros de extensão.
“São estimadas 2,7 milhões de espécies de fungos, mas apenas entre 80 mil e 120 mil já foram descritas pela literatura. São seres que podem ser utilizados na construção, na indústria têxtil, na alimentação e, como vem sendo comprovado por pesquisas científicas avançadas, até na medicina. E toda essa riqueza natural pode ser perdida pelo impacto que causamos à Terra, antes mesmo de os conhecermos”, acrescenta Eduardo.
Com uso de imagens reais de crescimento fúngico, sons e cores que remetem à diversidade de espécies existentes, o visitante vai desvendando um pouco dessa complexa rede que funciona como um biocomputador, uma imensa internet que codifica dados orgânicos. O que são os fungos, o que os fungos fazem e o que podemos fazer com os fungos são questões demonstradas de maneira dinâmica, a fim de despertar a curiosidade.
A experiência lúdica é completada pela cenografia. Papel amassado na parede traz volume e até o pufe passa a mensagem de conectividade, simbiose, coexistência inerente à vida, ainda que nem sempre percebamos – cada pessoa que se senta ou levanta movimenta quem já está sentado.
Ao final da projeção, as luzes guiam o visitante à instalação central – a Árvore da Conexão entre Natureza e Mente. Da árvore cenográfica de ripas de madeira que vão do chão ao teto caem cordas, tecidos e fios de Led, que apresentam uma dança luminosa em alusão à rede de comunicação fúngica, do solo para o todo. As luzes remetem também às sinapses, em referência à revolução científica que tem descoberto a função terapêutica dos cogumelos para o tratamento de doenças como a ansiedade e a depressão.
A segunda temática traz informações sobre as pesquisas relacionadas ao uso terapêutico dos fungos e seu diálogo com os saberes tradicionais indígenas com a descoberta da Psilocibina, principal componente dos cogumelos psicoativos. Embora ainda haja um caminho longo a ser percorrido, ensaios clínicos recentes mostram que o uso da substância é capaz de aliviar depressão e ansiedade graves, demonstrando o imenso potencial que esse universo oferece à humanidade.
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