
02/02/2023
A Conferência para a Biodiversidade da ONU (COP 15), realizada em dezembro do ano passado no Canadá, ganhou as manchetes dos jornais em todo o mundo graças ao anúncio de um acordo histórico para proteger um terço da terra e da água do planeta até o final da década.
No entanto, infelizmente, pode ser um pouco tarde demais para várias espécies animais.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), uma das principais ONGs ambientais do mundo, tem mais de 87 mil espécies em sua "lista vermelha" de criaturas ameaçadas de extinção - e alguns animais considerados em "risco crítico" apresentam populações em seu habitat natural tão pequenas que o número de exemplares da espécie pode ser contado nos dedos.
Isso significa que eles podem desaparecer muito em breve — ou apenas serem vistos em cativeiro. A seguir, listamos alguns deles:
Vaquita
"Não acredito que seja uma batalha perdida, mas precisamos continuar lutando."
Há um quê de exasperação na voz de Lorenzo Rojas-Bravo.
O biólogo mexicano conversou com a BBC sobre sua luta de três décadas para salvar a vaquita, uma toninha descrita como o mamífero marinho mais raro do mundo pelo World Wildlife Fund (WWF).
Vivendo exclusivamente no Golfo da Califórnia, no México, as vaquitas estão desaparecendo rapidamente desde que foram descobertas em 1958 — e estima-se que restem hoje apenas cerca de 10 vivas.
Cinco anos atrás, a população estimada era de aproximadamente 30.
Rojas-Bravo explica que a morte das vaquitas está intimamente ligada à pesca comercial, à medida que elas morrem em redes de pesca ilegais destinadas à totoaba, um peixe mexicano cuja bexiga natatória é usada na medicina tradicional chinesa.
"Temos estudos que mostram que, se as autoridades mantiverem a pesca ilegal sob controle, a população (de vaquitas) poderá prosperar. Mas o tempo definitivamente não está do nosso lado", diz ele.
Tentativas anteriores de criar vaquitas em cativeiro fracassaram.
Saola
Há uma razão pela qual este bovino de chifres longos é conhecido como "unicórnio asiático".
Avistado pela primeira vez no início dos anos 1990, foi celebrado como a primeira descoberta de um mamífero de grande porte em 50 anos, mas o saola é notoriamente esquivo.
Houve apenas quatro avistamentos confirmados do animal desde então, de acordo com o WWF. Isso suscita o temor pela sobrevivência da espécie nas florestas da fronteira do Vietnã com o Laos, onde a caça ilegal é uma grande ameaça.
"Não podemos nem sequer ter certeza de que o saola ainda está por aí, já que a última vez em que um foi fotografado foi em 2013", diz à BBC Margaret Kinnaird, líder global de vida selvagem do WWF. "Não sabemos quantos indivíduos existem, e não estou muito otimista."
Organizações como a IUCN só classificam uma espécie como extinta se "não houver dúvida razoável de que o último indivíduo morreu".
Rinoceronte-de-sumatra
Este mamífero é um exemplo de por que o tamanho da população não é só o que importa quando se discute o quão ameaçado um animal está: há mais rinocerontes-de-sumatra do que rinocerontes-de-java — outra espécie criticamente ameaçada presente na Indonésia —, mas os primeiros são muito mais vulneráveis à perda e fragmentação de habitat.
O WWF estima que restem menos de 80 rinocerontes-de-sumatra, sobrevivendo em populações pequenas e fragmentadas. Kinnaird explica que isso tem um impacto direto na reprodução deles.
"Eles estão separados e não conseguem se encontrar. Descobrimos que as fêmeas desenvolvem problemas no útero e nos ovários se não se reproduzem por um longo período de tempo", ela adverte.
Kinnaird também destaca que os rinocerontes-de-sumatra são um elo especial com o passado — diferentemente de outros animais da família, eles são cobertos por pelos longos e são parentes muito mais próximos dos rinocerontes-lanudos extintos do que qualquer outra espécie de rinoceronte viva hoje.
"Se eles sumirem, perderemos uma linhagem pré-histórica."
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