
24/01/2023
No último dia 11, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Pará, Helder Barbalho, anunciaram que Belém foi lançada como candidata para receber a edição de 2025 da conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas), a COP30. A intenção é trazer o maior fórum mundial sobre mudanças climáticas para a Amazônia, mas o estado escolhido como possível sede é o maior desmatador histórico do bioma.
Dados do Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostram que, desde o começo da série histórica, em 1988, já foram devastados aproximadamente 167 mil km² de floresta no estado. Isso equivale a quase 35% do total perdido no bioma nesse período.
O segundo colocado, Mato Grosso, registrou perda de 152 mil km² —quase 15 mil km² a menos.
Há 16 anos consecutivos, o Pará é o campeão anual em devastação. Só entre agosto de 2021 e julho de 2022, foram desmatados mais de 4.141 km² do bioma no estado. A queda de quase 21% em relação ao pico do ano anterior (5.238 mil km², o maior número desde 2008) não é algo tão surpreendente, dizem pesquisadores, já que mesmo para os desmatadores é caro manter níveis tão altos de destruição.
"O ano anterior foi desastroso, o maior índice de desmatamento em décadas, então é normal ter uma queda em seguida", aponta Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima, rede de organizações socioambientais. Em 2021, o índice de desmate em todos os estados da Amazônia Legal chegou a 13 mil km², o mais alto desde 2007.
Outra possível explicação para os números de 2022 é que choveu mais do que o normal na região. "Isso fez com que reduzisse as possibilidades de desmatamento e queimadas", afirma Eugênio Pantoja, diretor de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
Existem vários fatores para a dinâmica de desmatamento do Pará. De acordo com o pesquisador, já na ocupação do estado, nas décadas de 1960 e 1970, a aptidão para o desmate era um critério que definia onde os migrantes, incentivados pela política desenvolvimentista da ditadura militar, se instalavam.
Em seguida, os vetores de destruição da floresta passam a ser grandes obras de infraestrutura. "[O desmate] é impulsionado especialmente pela construção de grandes rodovias —como a Transamazônica, a Belém-Brasília (BR-010) e a BR-163— e também obras como as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí", explica Pantoja.
Além disso, também entram na conta a ocupação ilegal de terras ainda não destinadas (pelo estado ou pelo governo federal), que ficam vulneráveis à grilagem, e a invasão de unidades de conservação e terras indígenas, sobretudo para garimpo.
A reportagem na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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