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Equador tentou frear exploração petrolífera e proteger a floresta amazônica, mas aconteceu o contrário

19/01/2023

Operários concluíram recentemente a construção de uma nova plataforma petrolífera numa área de densa floresta amazônica no Equador, perto de onde vivem alguns dos últimos indígenas do mundo ainda não contatados.
Equipes estão fazendo perfurações em um dos ecossistemas mais importantes da Terra em termos ambientais –e que armazena volumes imensos de carbono, que aquece o planeta. Estão se aproximando gradualmente de uma zona de acesso proibido, definida para proteger os grupos indígenas. Mas foi descoberto que algumas das maiores reservas petrolíferas do país estão presentes também nas áreas desses indígenas.
O Equador é um país carente de recursos e que enfrenta uma dívida grande. O governo enxerga a exploração petrolífera como sua melhor saída.
A história deste lugar, o Parque Nacional Yasuní, oferece um estudo de caso de como forças financeiras globais continuam a colocar países em desenvolvimento numa armadilha, obrigando-os a explorar alguns dos lugares de maior biodiversidade do planeta.
Segundo a diplomata equatoriana Maria Fernanda Espinosa, ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, países como o Equador estão contra a parede.
Explorar petróleo nesta parte da floresta amazônica não foi a primeira opção do Equador. Em 2007, o então presidente Rafael Correa propôs uma alternativa inovadora que teria conservado no subsolo as reservas de óleo de um lote aqui designado como Bloco 43 e que se estimava na época conter por volta de 1 bilhão de barris.
O plano previa que países criassem um fundo de US$ 3,6 bilhões, metade do valor estimado do petróleo, para compensar o Equador por deixar suas reservas intocadas.
Defensores da ideia disseram que seria uma vitória para o clima, a biodiversidade e os direitos indígenas. Além disso, segundo eles, teria sido uma vitória moral que teria criado um precedente: um país pequeno e em desenvolvimento teria sido pago para abrir mão de um recurso natural que ajudou a tornar lugares como os Estados Unidos e a Europa tão ricos quanto são.
Mas após a fanfarra inicial, apenas uma parte minúscula das contribuições chegou de fato. O Equador recorreu à China para pedir empréstimos, cerca de US$ 8 bilhões ao longo do governo de Correa, que seriam pagos em óleo.
"Agora que a tendência global é de abandonar os combustíveis fósseis, é chegado o momento de aproveitar nosso petróleo até a última gota, para que possa beneficiar os mais pobres e ao mesmo tempo respeitar o meio ambiente", disse no ano passado o atual presidente, Guillermo Lasso.
Outros países também estão em busca de novas fontes de petróleo, apesar de a Agência Internacional de Energia ter dito que os países precisam sustar projetos novos para evitar a mudança climática catastrófica.

Termine de ler esta matéria acessando a Folha de S. Paulo

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