UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Carro voador e fim da desigualdade energética cabem no mesmo pacote

12/01/2023

Cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, anunciaram em dezembro que haviam realizado na Terra algo que é comum nas estrelas: fundido isótopos de hidrogênio, liberando mais energia na reação do que a energia gasta na ignição. O anúncio foi acompanhado de ressalvas para deixar claro que a fusão nuclear usável ainda está a décadas de distância.
Mas o fato de que a fusão nuclear não vai mudar nosso sistema energético no próximo ano não significa que ela não deva mudar nossas ambições energéticas para os próximos anos.
Há três metas que uma sociedade pode ter para seu uso de energia. Uma é consumir menos. Pode-se dizer que ela ganhou força na década de 1970. O slogan fundamental é "reduzir, reutilizar, reciclar", acompanhado de instrução frequentemente ignorada de que há uma razão para "reduzir" vir primeiro. Hoje essa ambição persiste no pensamento dos proponentes do decrescimento e outros para os quais a humanidade estará flertando com a calamidade se não respeitarmos nossos limites e abrirmos mão das fantasias de crescimento eterno.
A segunda meta é consumir o que consumimos hoje, mas fazê-lo melhor. A política climática moderna hoje a enfoca. A visão da descarbonização –que hoje está sendo promovida por meio de políticas públicas como a Lei de Redução da Inflação— é manter mais ou menos os mesmos padrões energéticos de hoje, mas passar para fontes não poluentes, como eólica e solar.
A descarbonização nessa velocidade e escala é um empreendimento tão tremendo que é difícil olhar para mais além dele, para a terceira meta possível: um mundo de abundância energética.
Em seu livro fascinante e frustrante "Where Is My Flying Car?" (onde está meu carro voador, em tradução livre), J. Storrs Hall argumenta que não nos damos conta de quanto nos custaram nossas ambições energéticas diminuídas. Nos séculos 18, 19 e 20, a energia que a humanidade podia atrelar cresceu 7% a cada ano. Hall escreve que a força energética consolidada da humanidade alimentou "o otimismo e a melhoria constante da vida no século 19 e na primeira metade do século 20".
Mas essa curva começou a se achatar a partir de mais ou menos 1970, especialmente nos países ricos, que começaram a produzir mais gastando menos. Em 1979, os americanos consumiram 10,8 kilowatts per capita. Em 2019, consumimos 9,2. Um conservacionista enxergará isso como progresso, embora esteja longe de ser o suficiente, como confirmarão as emissões de dióxido de carbono. Para Hall, foi uma catástrofe civilizacional.
O carro voador ao qual alude o título do livro simboliza tudo que nos foi prometido em meados do século 20, mas que ainda não temos: carros voadores, é claro, mas também bases lunares, foguetes nucleares, baterias atômicas, nanotecnologia, cidades submarinas, viagens aéreas supersônicas a preços acessíveis e assim por diante.
Hall reúne essas previsões e muitas outras de escritores e profetas de ficção científica de meados do século passado e as classifica segundo o custo energético. O que ele descobre é que, de modo geral, as maravilhas que conseguimos concretizar –a internet, os smartphones, teleconferências, a Wikipedia, TVs de tela plana, streaming, vacinas de mRNA, IA— consomem relativamente pouca energia, enquanto as maravilhas que não realizamos exigiriam energia em escala enorme.

Vem terminar de ler esta matéria clicando na Folha de S. Paulo

Novidades

Tecnologia que ajudou a recuperar praias da Zona Sul chega à Ilha do Governador

07/07/2026

A Ilha do Governador inaugura nesta sexta-feira o primeiro Coletor em Tempo Seco (CTS) da região, in...

Tremores de terra são registrados no litoral de Maricá

07/07/2026

Dois tremores de terra atingiram o litoral do estado do Rio de Janeiro, na altura de Maricá, no fim ...

USP transforma resíduos em energia, biometano e biofertilizante

07/07/2026

O Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) acaba de inaugurar uma usin...

DNA da água em rio do ES ajuda cientistas a encontrar peixe ameaçado de extinção

07/07/2026

Um peixe de apenas cinco centímetros, ameaçado de extinção e encontrado unicamente no Espírito Santo...

Natura cria startup para vender ingredientes da amazônia a outras indústrias

07/07/2026

A Natura lançou uma startup dedicada a vender matérias-primas da amazônia a outras indústrias, em um...