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Camada de ozônio deve se recuperar em quatro décadas, diz novo estudo

12/01/2023

A camada protetora de ozônio na alta atmosfera poderá estar restaurada dentro de várias décadas, disseram cientistas na segunda-feira (9), já que as recentes emissões ilegais de produtos químicos destruidores de ozônio pela China foram na maior parte eliminadas.
Em uma avaliação patrocinada pela ONU, cientistas disseram que as emissões globais de CFC-11, produto químico proibido usado como refrigerante e em espumas isolantes, diminuíram desde 2018, após aumentarem durante vários anos. CFC-11 e produtos químicos semelhantes, chamados coletivamente de clorofluorcarbonos, destroem o ozônio, que bloqueia a radiação ultravioleta do sol que pode causar câncer de pele e prejudicar as pessoas e outros seres vivos.
Os cientistas disseram que, se as políticas atuais permanecerem em vigor, os níveis de ozônio entre as regiões polares deverão atingir níveis anteriores a 1980 até 2040. Buracos no ozônio, ou regiões de maior desgaste que surgem regularmente perto do polo sul e, com menos frequência, perto do polo norte, também deverão se recuperar, até 2045 no Ártico e cerca de 2066 na Antártida.
"As coisas continuam caminhando na direção certa", disse Stephen A. Montzka, químico pesquisador da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos e um dos autores do relatório. Montzka liderou um estudo em 2018 que alertou o mundo de que as emissões de CFC-11 vinham aumentando desde 2012 e que pareciam vir do leste da Ásia.
As investigações do The New York Times e outros sugeriram fortemente que a fonte eram pequenas fábricas no leste da China, que desconsideravam a proibição global.
As novas emissões ameaçaram minar o Protocolo de Montreal, o tratado negociado na década de 1980 para eliminar gradualmente o uso de clorofluorcarbonos em favor de produtos químicos mais benignos, depois que se descobriu que os clorofluorcarbonos estavam destruindo o ozônio atmosférico.
Na época, o chefe do Programa Ambiental da ONU, que supervisiona o protocolo, chamou a produção ilegal de CFC-11 de "nada menos que um crime ambiental que exige ação decisiva". Montzka e outros disseram que se as emissões perigosas continuassem poderiam atrasar a recuperação da camada de ozônio em até uma década.
Mas estudos de acompanhamento mostraram que as emissões estavam diminuindo, um sinal de que o governo chinês estava reprimindo com sucesso a nova produção de CFC-11. O relatório disse que as emissões perigosas provavelmente atrasaram a recuperação da camada de ozônio em um ano.
O CFC-11 chinês teria sido usado como agente de expansão na fabricação de espuma de isolamento. Durante a produção de espuma, parte do CFC-11 escapa para a atmosfera, onde pode ser detectado e medido, mas grande parte fica contida na espuma à medida que ela endurece.
Desta forma, disseram os pesquisadores, a produção chinesa ilegal contribuiu para os "bancos" de clorofluorcarbonos que foram produzidos em todo o mundo antes das proibições entrarem em vigor e estão em espumas, equipamentos de refrigeração e sistemas de extinção de incêndio. Esses produtos químicos existentes ainda não estão na atmosfera, mas são liberados lentamente através da deterioração e destruição da espuma, vazamentos ou outros meios.

A reportagem foi originalmente publicada na Folha de S. Paulo

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