
08/12/2022
Pesquisadores do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar estão há oito anos trabalhando na Mata Atlântica e recentemente confirmaram a presença de uma população de onças-pintadas (Panthera onca) na Serra do Mar paranaense, com o registro de cinco animais. O estudo foi divulgado na revista científica Oryx, publicada pela universidade britânica de Cambridge.
Com a descoberta, a área de ocupação da onça-pintada na Mata Atlântica foi ampliada em 9%. Considerando a Serra do Mar, esta ocupação subiu para 46,9%, o que torna a região a maior área de prioritária para a conservação da espécie no bioma brasileiro.
A descoberta é ainda mais relevante pela presença confirmada de machos e fêmeas, indicando a existência de uma população de onças com potencial reprodutivo.
“Os indivíduos que registramos estão em uma área florestal extensa e de difícil acesso. Por isso, a ausência de registros de onça-pintada nos últimos 20 anos pode ser resultado da falta de levantamentos, ao invés de refletir a ausência da espécie necessariamente. Investimos na investigação e tivemos esses importantes registros, que mudam o olhar sobre a política de conservação da espécie em nível nacional e local, atestando a importância da região e da sua proteção”, conta Roberto Fusco, Doutor em Ecologia e Conservação e pesquisador e coordenador técnico do Programa.
Fusco explica que esses animais foram pressionados para áreas montanhosas e de difícil acesso principalmente por conta da caça, desmatamento e extração de palmito. “As onças-pintadas, assim como outras espécies de grandes mamíferos, são as que mais sofrem, direta e indiretamente, com a fragmentação das florestas e a pressão de caça porque dependem de áreas extensas e saudáveis para sobreviver. Na Serra do Mar, esses animais encontraram refúgio em áreas montanhosas, mais remotas e com difícil acesso para humanos, fator que talvez tenha contribuído para que esses felinos ficassem tanto tempo sem ser registrados”, diz.
Hoje, a população de onças-pintadas na Mata Atlântica está em torno de 300 indivíduos, distribuídos em pequenas e restritas subpopulações, inclusive em florestas maiores. No bioma, uma das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta, a espécie já perdeu 85% de seu habitat.
“Temos os dados e estamos indicando o que é necessário ser feito para salvar a espécie que é símbolo da biodiversidade brasileira e que será exposta ao mundo no uniforme da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo”, ressalta Fusco.
A Serra do Mar no Paraná, onde a nova população de onças foi descoberta, integra o território da Grande Reserva Mata Atlântica, o maior contínuo de floresta protegida desse bioma no país e se torna uma região mais segura para estes felinos.
Para Marion Silva, gerente de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, a descoberta é o início de um novo marco para o território. “A Grande Reserva é uma oportunidade única para a conservação de uma das áreas mais importantes em biodiversidade do mundo. A presença da onça-pintada mostra o quanto os 2,7 milhões de hectares desse território são valiosos para a fauna, a flora e as pessoas. Esses resultados também demonstram a importância de investir em iniciativas que impactem positivamente a região”, reflete Marion, explicando que a Grande Reserva Mata Atlântica faz parte de 60 municípios de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
A matéria na íntegra pode ser lida no Ciclo Vivo
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