
17/11/2022
Liderado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, o Brasil participa da COP27, 27ª conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, com dados que apontam para pioras recordes no desmatamento, incêndios em áreas de floresta e emissão de gases poluentes. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva chegou na noite de segunda-feira a Sharm El-Sheikh, no Egito, para participar da cúpula do clima.
Paralelamente à participação do governo Bolsonaro, ele deve se reunir com autoridades de diferentes países e prometer uma guinada na política ambiental a partir de sua posse, em janeiro de 2023. Representantes de quase 200 nações se reúnem com o objetivo de discutir novos compromissos para garantir a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C.
Na cúpula do ano passado, a COP26, o Brasil assinou um importante acordo sobre proteção de florestas, que estabelece como meta desmatamento zero no mundo até 2030. O documento prevê US$ 19,2 bilhões em recursos públicos e privados para ações ligadas à preservação das florestas, combate a incêndios, reflorestamento e proteção de territórios indígenas. O presidente Jair Bolsonaro não compareceu e as negociações avançaram com a participação de diplomatas do Itamaraty.
Mas os indicadores mostram o Brasil na contramão das promessas e compromissos de controle de emissões de CO2. A BBC News Brasil reuniu em três gráficos os dados que mostram como desmatamento, incêndios e emissões de gás carbônico aumentaram durante o governo Bolsonaro.
Para cumprir a própria promessa de desmatamento zero na Amazônia e os compromissos que o Brasil vem assumindo nas cúpulas do clima, Lula terá que agir rápido e empreender mudanças drásticas já em janeiro de 2023, quando toma posse.
Em 2021, terceiro ano de governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia alcançou o maior patamar em 15 anos, desde 2006. Desde o início de seu mandato, em 2019, que a destruição da floresta vem aumentando ano a ano.
Em 2021, houve uma alta de 21,97% em relação a 2020, com um desmatamento de 13.235 km² de vegetação. Para efeito de comparação, a taxa média nos dez anos anteriores era de 6.493,8 km².
A taxa oficial de desmatamento em 2022 ainda não foi divulgada, mas área sob alertas de desmatamento na Amazônia em outubro atingiu 904 km², recorde para o mês na série histórica iniciada em 2015 com o sistema Deter-B, do Inpe.
A alta é de 3% em relação ao mesmo mês de 2021. No acumulado do ano, o aumento na destruição em 2022 chega a 44,65% na comparação com o ano passado. De 2004 a 2012, após a implementação, durante o governo Lula, de um plano agressivo de combate ao desmatamento iniciado na gestão da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o desmatamento na Amazônia caiu cerca de 80%.
Na gestão de Dilma Rousseff, em 2012, as taxas voltaram a subir e oscilaram para cima e para baixo até 2018. Ao retornar ao Planalto, em janeiro, Lula terá, segundo ambientalistas, dificuldade para reverter ainda em 2023 a tendência de alta.
Na COP26, realizada em 2021, em Glasgow, na Escócia, o governo brasileiro anunciou que antecipará a meta de zerar o desmatamento ilegal de 2030 para 2028, e prometeu alcançar uma redução de 50% até 2027. A ideia, conforme anúncio do governo brasileiro, era de que houvesse uma diminuição gradual da destruição da floresta em 15% ao ano entre 2022 e 2024, subindo para 40% de redução em 2025 e 2026, até alcançar desmatamento zero em 2028.
Mas os indicadores revelam que dificilmente haverá redução de 15% no desmatamento em 2022, como prometido pelo governo Bolsonaro. Já Lula vem prometendo zerar o desmatamento na Amazônia, tanto o legal quanto o ilegal. Mas ele não apresentou prazos nem as medidas que vai adotar para garantir isso.
Diante do que chamam de desmonte dos órgãos de controle ambiental, como o Ibama, ambientalistas apontam que pode levar tempo para o presidente eleito reverter a tendência de alta.
Quando Lula assumiu seu primeiro mandato em 2003, a taxa de desmatamento do ano anterior havia alcançado 25.396 km² . Nos seus dois primeiros anos de mandato, o desmatamento chegou a subir mais, alcançando 25,3 mil km² em 2003 e 27,7 mil km², em 2004.
Termine de ler esta matéria no g1
Tecnologia que ajudou a recuperar praias da Zona Sul chega à Ilha do Governador
07/07/2026
Tremores de terra são registrados no litoral de Maricá
07/07/2026
USP transforma resíduos em energia, biometano e biofertilizante
07/07/2026
Sistema Cantareira passa a operar na faixa de alerta
07/07/2026
DNA da água em rio do ES ajuda cientistas a encontrar peixe ameaçado de extinção
07/07/2026
Natura cria startup para vender ingredientes da amazônia a outras indústrias
07/07/2026
