
17/11/2022
Dados obtidos pelo MapBiomas a partir da análise de imagens de satélite entre 1985 e 2021 confirmam que o Pantanal brasileiro vem apresentando padrões muito mais secos nos anos recentes. O ano de 2021 representa o mais seco já observado, com área úmida equivalente a 1,6 milhões de hectares – 76% menor do que o início da série (6,7 milhões de hectares em 1985).
Como este é um bioma onde a superfície de água varia sazonalmente, os pesquisadores avaliaram a variação entre os anos com picos de cheia e de seca. Somando campos alagados e superfícies cobertas por água, a redução foi de 29% nos anos extremos dos picos de cheia (de 7,2 milhões de hectares em 1988 para 5,1 milhões de hectares em 2018) e de 66% nos anos extremos dos picos de seca (de 4,7 milhões de hectares em 1986 para 1,6 milhões de hectares em 2021).
Nos anos mais recentes da série, nota-se que as cheias estão cada vez menores, tanto em termos de área quanto em duração. Em 2020 e 2021, a área alagada ficou abaixo da tendência já decrescente, com os meses mais alagados menos expressivos do que os meses mais secos dos outros anos da série.
Independente da sazonalidade, os dados mostram que todos os meses do ano apresentam tendência de diminuição da área alagada. Considerando o mapeamento mensal e os dados de área, tendência e frequência, no período de 1985 a 2021 o Pantanal está alagando menores áreas e também por menos tempo.
Nos últimos 37 anos, a superfície de água no Pantanal passou de 2,7 milhões de hectares em 1985 para 500 mil hectares em 2021. Em 1985, 4 milhões de hectares eram de campos alagados; em 2021, era 1,1 milhão de hectares. Nesse mesmo período, as formações campestres passaram de 1,6 milhão de hectares, em 1985, para 5,7 milhões de hectares, em 2021. As atividades agropecuárias, por sua vez, ocupavam 600 mil hectares em 1985 e 2,8 milhões de hectares em 2021. Em 1985, 6 milhões de hectares eram de floresta e savana; em 2021, eram 4,9 milhões de hectares.
“O Pantanal está sofrendo com múltiplos e simultâneos vetores de degradação locais, regionais, nacionais e globais”, explica Eduardo Reis Rosa, engenheiro agrônomo do MapBiomas. “Em nível local vemos um processo de conversão de áreas naturais em pastagens exóticas. A ocupação da área do planalto, sem respeito às nascentes e áreas de proteção permanente ao longo dos rios, está afetando a quantidade e qualidade da água e causando o assoreamento nos rios da planície. Há também uma alta frequência na incidência de incêndios, que dificulta a recuperação natural do bioma”, prossegue.
Já em nível regional, o especialista explica que há ainda o avanço de barragens, PCHs, drenos artificiais e estradas, que estão comprometendo o fluxo das águas, enquanto em nível nacional, o problema é a “maior irregularidade do regime de chuvas gerado pelo desmatamento da Amazônia e o comprometimento de sua capacidade de bombear umidade para a atmosfera. Por fim, o Pantanal também sofre com o agravamento da crise climática”, detalha.
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