
01/11/2022
Os objetivos da neutralidade do carbono são inúteis se não agirmos para cumpri-los, afirmou o secretário-geral da ONU na quinta-feira (27), destacando que o mundo "não pode mais permitir o greenwashing", termo em inglês que consiste em manter um discurso ecológico ao mesmo tempo em que se promove práticas não sustentáveis. Diferenças entre promessas e práticas de países e empresas sobre neutralidade carbono poderiam levar o mundo a um aquecimento de 2,8°C.
"Os compromissos de neutralidade do carbono não valem nada sem planos, políticas e ações que os apoiem", disse Antonio Guterres, em um vídeo divulgado por ocasião da publicação da avaliação anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre o progresso dos compromissos assumidos no Acordo de Paris de 2015.
"Os compromissos climáticos globais e nacionais são lamentavelmente insuficientes", disse Guterres no vídeo, divulgado a menos de duas semanas do início da conferência climática COP27 da ONU no Egito.
"Em outras palavras, caminhamos para uma catástrofe global", alertou Guterres. Além disso, ele pediu que mais objetivos sejam alcançados para respeitar o compromisso do acordo climático de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, e a 1,5 ºC, se possível.
O público-alvo do vídeo são os governos, particularmente do Grupo das vinte economias avançadas (G20), do qual o Brasil faz parte, bem como atores privados e instituições financeiras.
Cada vez mais governos, empresas e cidades firmam compromissos com a neutralidade do carbono, mas na maioria dos casos não serão cumpridos até 2050. "Nosso mundo não pode permitir mais o greenwashing", alertou Guterres.
O grupo de especialistas estabelecido pelo secretário-geral para desenvolver padrões e avaliar os compromissos de neutralidade do carbono por parte de atores não estatais informará suas conclusões na COP27.
Milhares de empresas anunciaram objetivos de neutralidade do carbono, mas muitas são suspeitas ou inclusive acusadas abertamente de não cumprir com seus compromissos.
Esse "greenwashing" é facilitado ainda mais pela falta de um marco internacional comum para avaliar e supervisionar os compromissos de redução das emissões. Guterres também mencionou a necessidade de investir "maciçamente" em energias renováveis, pedindo a criação de um "pacto histórico entre as economias desenvolvidas e emergentes do G20" para impulsionar a transição energética.
Um dia após a Secretaria para Mudança Climática da ONU ter afirmado que os compromissos atuais estão muito distantes de responder às metas fixadas em Paris, a avaliação do PNUMA reforçou o alerta. De acordo com o relatório, os compromissos de redução de emissões deixam o mundo a caminho de um aquecimento global de até 2,6 graus Celsius até o fim do século.
A matéria completa pode ser lida no g1
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