
27/10/2022
Reach Penaflor tem uma missão.
Desde 2009, ele trabalha em conjunto com o grupo River Warriors ("Guerreiros do Rio", em tradução livre), que se dedica a limpar os estuários que deságuam no rio Pasig, que atravessa a maior área urbana das Filipinas - a região metropolitana da capital do país, Manila, conhecida pelos seus odores nocivos. Os cientistas afirmam que o Pasig é o rio que mais contribui para a poluição do ambiente marinho.
Quando a limpeza começou, havia tanto lixo sólido na água que ele precisou ser removido manualmente. Mulheres voluntárias percorriam as águas poluídas, quase sem roupas de proteção, antes que pudesse começar a dragagem.
"Elas precisavam cavar fundo para retirar as coisas, usando apenas luvas para sua proteção", relembra Penaflor. "Eu decidi ir trabalhar com elas e só consegui por meio dia. Não parava de me coçar e não conseguia me livrar daquele mau cheiro."
Penaflor e seus colegas conhecem a reputação duvidosa do rio Pasig e a tarefa hercúlea de tentar mudar essa situação. As Filipinas são um dos maiores geradores de poluição marinha da Ásia - e, de forma talvez surpreendente, a maior parte desse lixo acaba perto do litoral.
Britta Denise Hardesty, principal cientista de pesquisa dos oceanos e da atmosfera da Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade Britânica (CSIRO, na sigla em inglês - o organismo nacional de pesquisa da Austrália), afirma que existem muitos conceitos errôneos envolvendo o lixo que vemos no oceano.
Existem lugares onde podemos ver o lixo flutuando na nossa linha de visão, mas, em outros, as correntes oceânicas podem carregar o material para o mar e fazer com que ele se acumule em sopas de plástico em locais distantes, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, entre o Havaí e a costa oeste dos Estados Unidos.
Muito já se falou sobre a Mancha do Pacífico, mas ela é apenas um dos giros - correntes oceânicas em circulação - que se movem ao longo dos oceanos do planeta em um círculo sem fim.
Os giros são parte de uma "esteira transportadora oceânica" dirigida pelas correntes que se movem ao longo da superfície dos oceanos, fluindo no sentido horário, no norte, e anti-horário, no sul. E, como as correntes também se comportam como imensas banheiras de hidromassagem, elas acabam empurrando fragmentos para mais perto do centro, onde podem acumular-se em concentrações mais altas, devido à redução da ação dos ventos e das ondas.
Britta Baechler, gerente sênior de pesquisas sobre plásticos nos oceanos da organização ambiental Ocean Conservancy, afirma que "ao todo, existem cinco grandes giros oceânicos".
"Todos os cinco giros são grandes sistemas de correntes oceânicas circulares que acumulam objetos flutuantes, incluindo plásticos", explica ela, mas "o Giro do Pacífico norte é o giro oceânico mais pesquisado e sabemos menos sobre os outros quatro". Os outros giros ficam no Pacífico Sul, no Atlântico Norte e Sul e no Oceano Índico, além de diversos outros giros menores.
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