
18/10/2022
O Brasil se comprometeu no ano passado a colaborar com uma meta mundial de redução de 30% nas emissões de gás metano até 2030. Mas, no ritmo atual, deve chegar ao fim da década com uma alta de 7% nas emissões desse gás, a segunda substância que mais contribui com o aquecimento do planeta e é proveniente, principalmente, da agropecuária.
É o que indica uma análise divulgada nesta segunda (17) pelo Observatório do Clima a partir de cálculos do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) que avaliou a trajetória atual de emissões do gás.
O trabalho considerou também o potencial de redução de emissões de uma série de medidas já disponíveis no país e concluiu que, se elas forem adotadas amplamente, levariam a uma redução de 36% do problema.
O relatório "Desafios e Oportunidades para Redução das Emissões de Metano no Brasil" aponta os caminhos para isso e sugere que o país assuma uma meta própria adequada ao compromisso global voluntário firmado por cerca de 120 países no ano passado durante a COP26, conferência do clima da ONU realizada em Glasgow.
O metano (CH4), assim como o gás carbônico, é um gás que, em concentrações excessivas na atmosfera, retém o calor no planeta, colaborando com o aquecimento global. É o segundo principal gás de efeito estufa, mas ele costuma aparecer menos nas discussões porque é emitido, globalmente, em quantidades bem menores que o CO2.
Em 2020, a humanidade emitiu 52 bilhões de toneladas de CO2, contra 364 milhões de toneladas de metano. Só que uma molécula de CH4 tem um potencial de aquecimento bem maior: 28 vezes mais que uma molécula de CO2 ao longo de cem anos. No curto prazo, em 20 anos, o potencial de aquecimento é 80 vezes. Metade do aumento da temperatura do planeta já observado hoje se deve às emissões de metano.
Outra diferença é que o CH4 tem uma meia-vida bem mais curta que o CO2 —menos de 20 anos, contra mais de cem—, o que faz com que a redução das suas emissões possa ter um efeito mais rápido na contenção do aquecimento global, permitindo que a humanidade ganhe tempo para se livrar gradualmente dos combustíveis fósseis, mantendo a meta de conter o aquecimento do planeta em 1,5°C até o fim do século.
"Como tem vida curta e é mais potente, se as emissões de metano fossem todas zeradas, num período de 12, 13 anos já não haveria mais o efeito dele na atmosfera. Num período de 20 anos, para ter o mesmo efeito da redução de 1 milhão de toneladas de metano, seria necessário capturar 80 milhões de toneladas de CO2", explica Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.
"O que interessa é o agora. Todos os gases de efeito estufa que estão na atmosfera estão aquecendo o planeta. É cumulativo, então mirar a eliminação do metano, de gases de vida curta com potencial maior, é conseguir um efeito rápido para ganhar tempo", complementa.
O Brasil pode desempenhar um papel importante nessa matemática global porque é o quinto maior emissor de metano do mundo, respondendo por 5,5% das emissões globais do gás, de acordo com o Seeg. Nossa pegada de metano é maior que a nossa pegada nas emissões totais de gases de efeito estufa. Olhando todos os gases, o país contribui com 3,3% das emissões do planeta.
De acordo com o levantamento, a maioria (72%) das emissões de metano no Brasil é proveniente da agropecuária, principalmente da fermentação entérica do gado. Das 21,7 milhões de toneladas de CH4 emitidas em 2020 no país, mais da metade (11,5 milhões) vieram do famoso arroto do boi.
As emissões provenientes de lixões e esgoto ficam em segundo lugar (16%). A queima de florestas, que é uma das principais fontes de CO2 no país, também emite metano (9% das emissões do gás). E o setor de energia e processos industriais responde por 3%.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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