
04/10/2022
O Tietê é o maior rio paulista, com cerca de 1,1 mil quilômetros de extensão, cortando o estado leste a oeste. Infelizmente, a poluição do rio, principalmente na região da capital, é outra característica que chama a atenção – e vem sendo monitorada desde os início dos anos 90, quando a mancha de poluição se estendia por cerca de 500 quilômetros, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica.
No dia 22 de setembro, o Dia do Tietê, um novo relatório de monitoramento foi divulgado e os resultados ainda não trazem motivos para comemorar. De acordo com o estudo Observando o Tietê 2022, a mancha de poluição no trecho do rio Tietê monitorado por voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica e equipe técnica da causa Água Limpa cresceu e se estende agora por 122 quilômetros – um aumento de mais de 40% em relação a 2021, quando atingiu 85 quilômetros.
A água de boa qualidade foi reduzida numa proporção ainda maior: de 124 quilômetros no ano passado para apenas 60 na atual medição. Os dados são do relatório, estudo que faz parte do projeto Observando os Rios – que tem como foco fortalecer a cidadania e a ciência cidadã – e que conta com o apoio da Ypê.
O rio Tietê é dividido em seis unidades de gerenciamento de recursos hídricos, também chamadas de bacias hidrográficas, que são monitoradas por 35 grupos voluntários da SOS Mata Atlântica, entre setembro de 2021 e agosto de 2022, ao longo de 576 quilômetros do rio principal, desde a nascente, em Salesópolis, até a jusante da eclusa do Reservatório de Barra Bonita.
Os dados foram obtidos com a média do Índice de Qualidade da Água (IQA) em 55 pontos de coleta distribuídos por 31 rios da bacia do Tietê. No geral, entre os 55 pontos monitorados em toda a bacia, a qualidade da água foi apontada como boa em sete (12,7%), regular em 34 (61,8%), ruim em 10 (18,2%) e péssima em quatro (7,3%). Não houve registro de água de ótima qualidade, fato que se repete desde 2010. O comparativo, dessa forma, mostra estabilidade entre os resultados deste ano e do anterior, com leve tendência de perda de qualidade.
Segundo Gustavo Veronesi, coordenador do programa Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica, o grande motivo da perda de trechos com qualidade de água boa e da piora constatada, principalmente no interior do Estado, se deve à transferência de sedimentos contaminados acumulados no reservatório de Pirapora do Bom Jesus para o Médio Tietê.
Esses sedimentos com altas cargas de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) reúnem remanescentes de esgotos e também de fontes difusas de poluição, como lixo, defensivos agrícolas, fuligem de carros, entre outros.
“O uso mais intensivo da terra, com perda de matas ciliares, pode causar grandes impactos para a qualidade da água da bacia do Tietê. O maior revolvimento do solo para os plantios e o uso mais intenso de fertilizantes e agrotóxicos para as culturas agrícolas têm implicado em grande produção de sedimentos que atingem os rios e que carregam consigo nutrientes e poluentes, que formam algas e consomem o oxigênio dissolvido da água”, explica.
Outro fator é a expansão das cidades, que provocou o surgimento de novas grandes áreas urbanas na região do Tietê. Como contraponto, Gustavo reforça que na Região Metropolitana de São Paulo, mesmo que a qualidade da água ainda esteja abaixo do aceitável, houve nos últimos anos uma melhora em função das obras de saneamento promovidas pelo Governo do Estado.
“Os esforços para o incremento do saneamento na Grande São Paulo precisam ser expandidos para os demais municípios a fim de garantir a saúde da população e a qualidade da água ao longo de toda a bacia”, completa.
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