
04/10/2022
Foi com imensa alegria e sentimento de dever cumprido que a maior árvore da Amazônia, com 88,5 metros de altura e 9,9 metros de circunferência, foi localizada na divisa entre os estados do Amapá e Pará, durante a 5ª edição do projeto que mapeia as árvores gigantes da Amazônia. A árvore já havia sido identificada em 2019, mas ainda não tinha sido possível chegar até ela.
Nesta nova expedição, os pesquisadores ficaram em campo, no município de Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, de 11 a 21 de setembro para chegar até a espécime.
O professor Eric Bastos Gorgens, pesquisador da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), é um dos coordenadores do projeto e detalhou que foi difícil chegar até a árvore, mas em nenhum momento a equipe pensou em desistir da missão.
“Finalmente conseguimos chegar até a maior árvore, nós já tínhamos documentado. Fizemos uma primeira expedição para chegar até a árvore, mas ficou faltando 3 quilômetros e, dessa vez, a gente fez todo o planejamento, refizemos a expedição e conseguimos chegar, de fato, até ela [árvore] e validar a informação”, disse.
Foi com a descoberta dessa árvore que os pesquisadores deram início a uma saga para descobrir outras "gigantes" na região Sul do estado, a partir de um projeto do Instituto Federal do Amapá (Ifap).
Diego Armando Silva, professor, pesquisador do Ifap e coordenador local do projeto, enfatiza que a espera de 3 anos até chegar a maior árvore da Amazônia consolida o trabalho cansativo, mas satisfatório.
“Houve um planejamento de 11 dias e contou com equipes da comunidade, preparadas para navegar por três dias o Rio Jari e depois percorrer 40 quilômetros, considerando ida e volta pela floresta intocável até concluirmos o trabalho nas árvores gigantes”, lembra o professor.
Silva fala também que antes dessa, as maiores árvores registradas no Amapá eram uma castanheira de 66 metros e um angelim vermelho de 79,19 metros, mapeados no início de 2021.
O novo recorde continua impressionando, já que a média de altura das árvores da Amazônia fica entre 40 e 50 metros.
“Essa espécie [angelim vermelho] se consolida como uma espécie gigante na Amazônia e representa um grande valor social, econômico e para o meio ambiente, considerando a valorização dessas grandes árvores, a valorização da Amazônia, a valorização da floresta em pé, a valorização pelo uso e desenvolvimento local”, disse Silva.
Segundo as pesquisas, a região do Rio Jari é uma área diferenciada dentro da Floresta Amazônica, justamente por ser o único local em que as árvores gigantes foram identificadas.
“Junto com esse novo conhecimento a gente começa a perceber a importância, por exemplo, da captação do estoque de carbono que essas florestas guardam, especialmente nesse momento de mudanças climáticas onde as florestas têm um papel muito importante na regulação do clima do nosso país”, disse o professor Eric Bastos Gorgens.
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