UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Mancha de poluição no rio Tietê cresce 43% em um ano

27/09/2022

A mancha de poluição no rio Tietê cresceu cerca de 43% em um ano e agora atinge 122 km do corpo d’água no estado de São Paulo. Houve também uma diminuição das águas boas no rio, segundo a análise feita pela Fundação SOS Mata Atlântica como parte do projeto Observando os Rios.
O estudo, feito anualmente desde 1993, aponta presença de trechos com péssima qualidade de água tanto no Tietê quanto no Pinheiros, seu afluente — isso apesar do investimento de bilhões de reais do governo estadual para despoluição.
O relatório foi divulgado na última quinta-feira dia 22, o Dia do Tietê.
A situação é surpreendente, segundo Gustavo Veronesi, coordenador do Observando os Rios, exatamente devido a essas ações recentes de saneamento, especialmente no rio Pinheiros. Apesar de a situação no grande rio paulista ter piorado, a da bacia como um todo permanece relativamente estável.
Voluntários do projeto coletaram amostras de água de setembro de 2021 a agosto de 2022 em 55 pontos do Tietê e de outros rios que compõem a sua bacia, incluindo o Pinheiros.
Além disso, a SOS Mata Atlântica se baseou em 16 indicadores para compor o índice de qualidade da água, incluindo dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). O projeto monitora 576 km do rio, que, ao todo tem cerca de 1.100 km.
A mancha de poluição pode ser traduzida como a extensão do rio sem oxigênio dissolvido na água. Nessas condições, a água, em linhas gerais, não pode ser usada por humanos —mas pode ser utilizada para navegação, por exemplo.
Segundo o índice usado pela fundação, 117 km do rio estão com qualidade de água ruim e 5 km, com qualidade péssima —documentada na região do reservatório de Edgard Souza, em Santana do Parnaíba (na Grande São Paulo).
Na análise anterior, nenhum quilômetro de Tietê tinha qualidade péssima e 85 km eram de águas ruins.
Para piorar, os 124 km de águas boas foram reduzidos para somente 60 km (diminuição de cerca de 51%). Assim como nos últimos dois anos, nenhum trecho atingiu qualidade ótima.
Enquanto na região metropolitana de São Paulo a qualidade da água do Tietê ficou estável, a situação piorou no interior, segundo a análise.
"Agora estão aparecendo problemas no rio Tietê que antes eram escamoteados com esse argumento de que a região metropolitana joga esgoto no rio. Agora estão aparecendo com maior clareza os danos que são causados no interior", diz Veronesi.
A situação climática pode explicar, em parte, a piora no interior. Nesse período, o estado passou por um período com chuvas abaixo do volume esperado, segundo Veronesi, o que levou à diminuição da vazão do rio e, consequentemente, uma maior concentração de material orgânico.
Aliado a isso, a piora da qualidade no interior também pode ser explicada por uso de fertilizantes e agrotóxicos no meio agrícola, que, eventualmente, acabam nos corpos d’água. Quando chegam aos rios, esses produtos servem de nutriente para proliferação de plantas que acabam por consumir o oxigênio na água, o que, em última instância, prejudica a qualidade da água.
Por fim, o relatório da SOS Mata Atlântica também aponta para a expansão da urbanização (que, logicamente, é um processo contínuo de décadas) no interior do estado, o que reforça a necessidade de melhorias no saneamento em outras áreas para além da região metropolitana.
Mesmo com os resultados, há soluções no horizonte, afirma o coordenador do Observando os Rios. Um exemplo é o lago do parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo, alimentado pelo córrego do Sapateiro, parte da bacia do Pinheiros.
A qualidade da água do lago, que era regular até a última análise, agora é boa —inclusive, em 2021, peixes filmados no rio Pinheiros possivelmente saíram do córrego do Sapateiro. Trata-se do resultado de esforços na melhoria do saneamento.

Termine de ler esta matéria na Folha de S. Paulo

Novidades

Com espaços fluidos, escola integra a natureza à aprendizagem

09/07/2026

Na era dos sons das notificações e das respostas rápidas ao alcance das mãos, proibir celulares nas ...

Novo estudo indica por que a Antártica congelou milhões de anos antes do Ártico

09/07/2026

A Antártica Oriental abriga o maior manto de gelo da Terra, com água suficiente para elevar o nível ...

Tinta refletora reduz o calor em moradias vulneráveis na África

09/07/2026

Uma pergunta simples deu origem a uma solução inédita: o uso de uma tinta para enfrentar o calor ext...

Europa pode enfrentar semanas mais mortais com nova onda de calor, alerta OMS

09/07/2026

A OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou nesta terça-feira (7) que a Europa poderá enfrentar "se...