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Manejo de pirarucu faz aumentar 189% número de peixes em lagos de comunidade em Santarém, PA

09/12/2021

Olhos treinados e experiência adquirida por anos na contagem de pirarucus na natureza. Durante dois dias, moradores de Costa do Tapará, em Santarém, no oeste do Pará, fazem a catalogação da espécie nos lagos manejados da comunidade. De 2018 a 2021 o número de peixes teve crescimento de 189% nessas áreas.
Os moradores já fazem o manejo há sete anos para garantir estoque pesqueiro e conservação do maior peixe de escama de água doce do mundo. A última contagem foi nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro.
Para evitar invasão, os comunitários não divulgaram o total de peixes nos lagos, apenas informaram que a vigilância, cumprimento das regras de captura de tamanho mínimo, período do defeso, obediência à cota de 30% e contagens têm garantido o aumento de pirarucus.
Os procedimentos utilizados nas contagens são baseados na capacidade e experiência do pescador em contabilizar pirarucus quando observam e escutam sua emersão - quando a espécie vai à superfície da água realizar a respiração aérea. O momento é chamado pelos pescadores de "boiada".
O pescador conta quantos pirarucus observou em uma unidade pré-determinada de área, durante um intervalo de 20 minutos.
Somente pirarucus maiores de 1 metro são contabilizados, sendo classificados em duas categorias: juvenis, chamados localmente de bodecos e que medem entre 1m e 1,5 m, e adultos, de tamanho superior a 1,5 m.
Os pescadores realizam as contagens de forma silenciosa para assegurar a precisão do método e evitar que o comportamento do pirarucu seja alterado por interferências externas.
Esse método de contagem foi adaptado a partir do conhecimento tradicional de pescadores de Mamirauá, no Amazonas, mas só foi possível porque o pirarucu possui respiração aérea obrigatória, facilitando o processo de catalogação.
“Pescadores experientes e treinados para a metodologia de contagem são capazes de estimar a quantidade de peixes que há em determinado lago, por conta da característica da espécie de vir até a superfície para respirar”, explica a bióloga da Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Poliane Batista.
A comunidade é uma das cinco do Projeto Agro-Extrativista Tapará que recebe a assessoria técnica da Sapopema para o manejo do pirarucu. Além de Costa do Tapará, o acompanhamento ocorre em Pixuna, Santa Maria, Tapará Grande e Tapará Miri.
Para o coordenador do núcleo de base de Costa do Tapará, Rosinaldo Rebelo, o esforço que dedicam diariamente em vigilâncias para conservação da espécie é recompensado com o resultado do aumento nas contagens.
"A gente acha que teve uma melhora muito grande durante esses sete anos de trabalho para conseguir o que a gente tem hoje nos nossos lagos. É um aumento grande, mas que demanda muito trabalho, tanto de noite quanto de dia. A gente enfrenta várias dificuldades, lama, água, espinhos”, conta.
Uma vez por ano os manejadores realizam pesca comunitária nos lagos manejados da região. Em 2021, 43 pirarucus foram capturados na pesca comunitária realizada entre 10 e 13 de novembro em Pixuna do Tapará. A quantidade de pescado - pouco mais de uma tonelada - foi definida pela contagem anual.
A pescaria se concentrou nos lagos da comunidade que têm sido manejados por mais de duas décadas e que garantem a conservação do pirarucu e outros recursos pesqueiros locais.
Para os manejadores, a pesca coletiva premia o esforço dedicado em vigilâncias, contagens e conservação. “É uma alegria muito grande porque é fruto de um trabalho, que requer um esforço muito grande de nós comunitários. Foi uma pesca turística”, ressaltou o presidente da Associação Comunitária, Alciney Rodigues.

Fonte: g1

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