UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Mudança climática: urbanista cria ´cidades-esponja´ para combater enchentes

09/12/2021

Yu Kongjian se lembra do dia em que quase morreu nas águas do rio.
As chuvas levaram o Córrego da Areia Branca a inundar os campos de arroz da comunidade agrícola de Yu, na China. Na época com apenas 10 anos de idade, ele correu animado até as margens.
Subitamente, a terra abaixo dos seus pés desmoronou e o carregou para as águas da enchente com rapidez assustadora. Mas os bancos de juncos e salgueiros reduziram a velocidade do fluxo do rio, permitindo que Yu se agarrasse à vegetação e saísse das águas.
"Se o rio fosse como é hoje, nivelado com paredes de concreto, certamente eu teria me afogado", contou Yu à BBC.
Aquele foi um momento decisivo que traria impactos não apenas à sua vida, mas para toda a China.
Um dos urbanistas mais importantes da China e decano da prestigiosa faculdade de arquitetura e paisagismo da Universidade de Pequim, Yu Kongjian é o profissional por trás do conceito de "cidade-esponja", idealizado para gestão de enchentes e que está sendo implementado por diversas cidades chinesas.
Ele acredita que outros lugares podem adotar essa ideia - mesmo quando se questiona, por exemplo, se as cidades-esponja realmente podem funcionar em face das enchentes mais severas relacionadas às mudanças climáticas.
E se uma enchente pudesse ser algo que pudéssemos abraçar em vez de temer? Esta é a ideia central da cidade-esponja do Prof. Yu Kongjian.
A gestão convencional das águas de enchentes envolve a construção de canos ou drenagens para conduzir a água da forma mais rápida possível ou o reforço das margens do rio com concreto, para garantir que elas não transbordem.
Mas uma cidade-esponja faz o contrário. Ela procura absorver a água da chuva e retardar o escoamento pela superfície.
O processo ocorre em três lugares. O primeiro é a fonte, onde, da mesma forma que uma esponja com muitos orifícios, a cidade tenta conter a água com vários lagos.
O segundo é ao longo do fluxo. Em vez de tentar canalizar a água rapidamente para longe em linhas retas, rios tortuosos com vegetação ou várzeas reduzem a velocidade da água - da mesma forma que o córrego que salvou a vida de Yu. Eles oferecem mais um benefício, que é a criação de áreas verdes, parques e habitats para animais, purificando a água escoada na superfície com plantas que removem toxinas poluentes e nutrientes.
O terceiro é o sifão, de onde a água é esvaziada para um rio, lago ou para o mar. O Prof. Yu defende que essa área permaneça desocupada, evitando-se construções nas áreas baixas. "Você não pode lutar contra a água. Você precisa deixar que ela escoe", segundo ele.
Embora existam conceitos similares em outras partes do mundo, a cidade-esponja destaca-se pelo uso de processos naturais para resolver os problemas das cidades, segundo o Dr. Nirmal Kishnani, especialista em projetos sustentáveis da Universidade Nacional de Singapura.
"No momento, estamos desconectados... mas a ideia é que precisamos encontrar nosso caminho de volta para nos considerarmos parte da natureza", afirma ele.
O Prof. Yu e sua empresa de paisagismo Turenscape ganharam muitos prêmios com esse conceito, que é influenciado, em grande parte, pelos antigos métodos de agricultura que ele aprendeu ao crescer na província de Zhejiang, na costa leste da China, como a armazenagem de água da chuva em lagos para agricultura.
"Ninguém se afogava, nem mesmo na estação das monções. Nós simplesmente convivíamos com a água. Nós nos adaptávamos à água quando as cheias chegavam", relembra ele.
Yu se mudou para Pequim com 17 anos de idade, onde estudou paisagismo, tendo depois estudado design na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Quando ele retornou à sua terra-natal, em 1997, a China já estava profundamente mergulhada no frenesi da construção que ainda vemos até hoje.
Perplexo com aquela "infraestrutura cinza e sem vida", o Prof. Yu começou a defender uma filosofia urbanística baseada nos conceitos tradicionais chineses.

A matéria completa pode ser lida no g1

Novidades

Projeto transforma crianças da Marambaia em guardiãs do manguezal por meio da música; conheça a iniciativa

13/07/2026

Entre o mar da Restinga da Marambaia e o manguezal de Guaratiba, a música tem servido, há 24 anos, c...

Turista faz registro raro de ´salto´ de tubarão em Ilhabela (SP)

13/07/2026

A auxiliar de coordenação escolar Brenda dos Santos, 24, conseguiu fazer um registro de um momento r...

Descoberta no Rio Grande do Sul revela réptil que antecedeu dinossauros e crocodilos

13/07/2026

Muito antes dos dinossauros dominarem os continentes e de surgirem os crocodilos modernos, seus ance...

Super El Niño: o que o Brasil pode fazer antes do clima cobrar a conta

13/07/2026

O El Niño voltou ao noticiário com um adjetivo que chama atenção: “super”. A expressão parece anunci...

Amazônia tem menor nível de alertas de desmatamento para o 1º semestre em uma década

13/07/2026

A Amazônia registrou no primeiro semestre de 2026 a menor área com sinais de desmatamento detectados...