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Fotógrafo registra detalhes de caravelas-portuguesas vivas durante aparição no litoral de SP

30/11/2021

Um fotógrafo conseguiu fazer registros detalhados de caravelas-portuguesas quando estava no mar em Bertioga, no litoral de São Paulo. As imagens registradas pelo profissional, e obtidas pelo g1 nesta terça-feira (30), mostram três destes organismos marinhos. Esses animais, apesar de chamarem a atenção visualmente, podem provocar lesões na pele e no sistema nervoso, segundo alertam especialistas.
"Eu saio para o mar quase todo dia, o ano inteiro, então, encontro bastante coisa, tanto boas quanto ruins. No caso, considerei essa aparição boa, porque normalmente a gente encontra elas já mortas, na areia. Então, como fotógrafo de natureza, acho muito legal encontrar os bichos vivos", relata o fotógrafo Rafael Mesquita.
Segundo Mesquita, as caravelas-portuguesas foram vistas entre a Riviera de São Lourenço e a Praia de Itaguaré, por volta das 13h desta segunda-feira (29). "Foi atrás do Morro de Itaguaré, a cerca de 2 ou 3 km da costa. Eu vi três [caravelas], mas devia ter mais. Como estava ventando bastante, não deu para ver tão bem, porque elas são pequenas. Elas tinham tentáculos bem grandes e eram bem coloridas", descreve.
De acordo com o profissional, o registro detalhado foi possível porque ele estava com uma câmera e uma lente específicas, e se manteve a cerca de 3 metros de distância das caravelas no momento das fotografias.
"Eu nunca tinha fotografado uma caravela-portuguesa na água, e viva, porque depois que comprei o equipamento, não tinha visto mais. O que achei mais incrível nelas são suas cores, e saber que esse ser vivo se trata de uma colônia. E ela não nada, só vai à deriva no vento, é interessante", destaca.
Recentemente, a Prefeitura de Peruíbe, cidade também localizada no litoral paulista, fez uma publicação nas redes sociais alertando para a aparição de caravelas-portuguesas nas areias da cidade. Um grande volume do animal marinho foi encontrado sem vida na faixa de areia, e o município alertou que, mesmo após morta, a caravela-portuguesa provoca lesões na pele e no sistema nervoso. A recomendação é manter distância, caso encontre o animal.
A caravela-portuguesa (Physalia physalis) vive nas águas de todas as regiões tropicais dos oceanos. Ela possui tentáculos cheios de células urticantes, e apesar de parecer um único animal, é uma colônia composta por muitos animais inter-relacionados (pólipos). Em caso de acidentes com as caravelas-portuguesas, a orientação é evitar jogar água no ferimento ou esfregá-lo.
O biólogo marinho e coordenador do Aquário de Santos, Alex Ribeiro, explicou ao g1 que a caravela-portuguesa é um cnidário, parente das águas-vivas e das anêmonas-do-mar. "Porém, é diferente da água-viva, que é um organismo só. A caravela é uma colônia de organismos, então, cada tentáculo dela tem uma função específica dentro da colônia. Ela é um pouco mais nociva do que a água-viva, pois os tentáculos têm efeito um pouco mais urticante no banhista quando é tocado".
Ribeiro afirma que esses animais marinhos acabam migrando a favor dos ventos e correntezas. "De acordo com anos anteriores que a gente monitora, nessa época do ano, é mais comum a presença desses animais nas praias, e por sua vez, também é comum o crescimento da presença de banhistas".
Ribeiro reforça que não há motivo para preocupação, pois a presença dessas caravelas-portuguesas é comum, esperada, e demonstra que o ambiente está equilibrado.
Ao g1, a monitora de campo do Instituto Biopesca, Gemany Caetano, recomendou que as pessoas não tenham contato com os animais, caso percebam a presença deles encalhados na areia. "É importante ter uma cautela maior em relação a entrar no mar. Querendo ou não, esses animais apresentam substâncias urticantes que podem causar queimaduras, e dependendo da circunstância, até a necessidade de intervenção médica".
A monitora do Biopesca destaca que as caravelas-portuguesas são animais muito bonitos, e que despertam atenção. "Ele tem um degrade de azul, com roxo e lilás. É muito lindo, então, acaba atraindo a atenção das pessoas e, principalmente, as crianças, que são muito visuais".

Fonte: g1

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