
30/11/2021
No Nordeste do Amapá, a chamada “Ilha das Onças-Pintadas” é uma das regiões mais remotas do estado. Com mais de 58 mil hectares de terra e cerca de 40 indivíduos do maior felino da América Latina, a área é protegida e dá condições para a conservação da espécie no país. Neste Dia da Onça-Pintada, celebrado nesta segunda-feira (29), o g1 mostra um pouco mais sobre a vivência desse animal no estado.
A Ilha das Onças Pintadas fica na Estação Ecológica Maracá-Jipioca (EEMJ), uma unidade de conservação criada há 40 anos que se tornou berçário, abrigo e área de alimentação para manter vivas diversas espécies, algumas até ameaçadas, como a própria Panthera onca.
Analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e chefe da EEMJ, Iranildo Coutinho explica que um estudo iniciado em 2018 com uso de armadilhas fotográficas busca monitorar as onças na ilha. A estimativa populacional é de 38 animais dessa espécie vivendo na Maracá-Jipioca, mas o número pode ser maior.
“O Amapá mantém uma grande área preservada que é habitat das onças, supondo-se que com isso haja uma grande população de onças, apesar dos felinos ainda estarem classificados como ameaçados na categoria vulnerável para nossa região. […] Por algum motivo ainda desconhecido, não há onças de outras espécies na ilha de Maracá, nem qualquer outro felino de menor porte”, descreve Coutinho.
As onças-pintadas são boas para escalar árvores, mas também são ótimas nadadoras. Por ser um estado com grandes áreas preservadas, o Amapá é uma região propícia para a conservação dessa espécie. São animais que podem ser vistos tranquilamente na margem da ilha e ainda nas praias que se formam, mas a distância e o silêncio são obrigatórios para a observação.
“A vida e o movimento na ilha é regido pelas marés, que alcançam 10 a 12 metros de amplitude. As espécies se adaptam a essa dinâmica, inclusive as onças, que são vistas nas margens ou nas praias, em busca de alimentos. Os estudos demonstram que elas se alimentam principalmente de peixes, sendo mais de 50% da dieta. Isso pode ser um dos motivos para que um grande número de onças-pintadas possa conviver na região, levando em conta que é uma espécie altamente territorialista”, destaca o chefe da EEMJ.
Unidade de conservação de proteção integral, não são permitidas práticas de uso direto dos recursos naturais na Maracá-Jipioca, como a pesca. Pesquisadores, fotógrafos e estudantes de iniciação científica podem visitar a região com autorização prévia do ICMBio, no entanto, por enquanto, não é uma área aberta para o turismo.
“Temos recebido constantes demandas de pesquisadores tanto do estado do Amapá, como de outros estados e até mesmo de fora do país. A visitação só é permitida para fins educacionais, o que não significa que seja só para estudantes, mas para qualquer atividade que tenha foco na sensibilização ambiental. […] Queremos receber visitantes de forma mais ampla, mas antes precisamos dotar melhor nossa infraestrutura”, comenta o chefe da unidade de conservação.
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