
25/11/2021
Centenas de balsas de dragagem operadas por garimpeiros empreendem uma corrida por ouro no rio Madeira, importante afluente do rio Amazonas, navegando por vários quilômetros enquanto as autoridades estaduais e federais discutem quem é responsável por impedir a ação ilegal.
As balsas equipadas com bombas de água estão amarradas juntas em filas que quase atravessam todo o largo rio Madeira. Uma testemunha da Reuters avistou fumaça de escapamento indicando que estão aspirando ouro no leito do rio.
"Contamos nada menos que 300 balsas. Eles estão lá há pelo menos duas semanas e o governo não fez nada", disse o ativista do Greenpeace Brasil Danicley Aguiar.
A corrida pelo ouro começou no mesmo momento em que líderes mundiais se reuniam para a COP26, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em Glasgow, no Reino Unido.
Durante o evento e nos últimos anos, o governo têm reclamado que a visão internacional crítica às políticas ambientais sob Jair Bolsonaro não são justas.
No governo Bolsonaro, porém, os níveis de desmatamento explodiram e não param de crescer na Amazônia. Os dados mais recentes do Prodes, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mede, anualmente, o desmate, a destruição cresceu 22% de 2020 para 2021, chegando a 13.235 km2, maior valor desde 2006.
O próprio Bolsonaro já chegou a desautorizar ações de fiscalização que estavam em andamento.
O rio Madeira percorre cerca de 3.300 km desde sua nascente na Bolívia através da floresta no Brasil até desaguar no rio Amazonas.
As balsas de dragagem navegaram rio abaixo da área de Humaitá, onde houve um aumento na extração ilegal de ouro, e foram vistas pela última vez a cerca de 650 quilômetros de distância em Autazes, um município a sudeste de Manaus.
Uma porta-voz do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse que a dragagem ilegal no rio Madeira não é responsabilidade do governo federal, mas do Estado do Amazonas e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
O chefe do Ipaam, Juliano Valente, disse que seu órgão instruiu as forças de segurança estaduais a agirem, mas insistiu que o rio é de jurisdição federal e que a fiscalização cabe à Polícia Federal e à Agência Nacional de Mineração (ANM).
"É um vale-tudo. Nenhuma autoridade está fazendo nada para impedir o garimpo ilegal, que se tornou uma epidemia na Amazônia", disse Aguiar.
Procurado pela Folha, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, afirmou que a Polícia Federal está acompanhando o "caso para adoção das medidas cabíveis com a maior brevidade possível".
Já a Polícia Federal, em nota, disse que "juntamente com outras instituições, estabelecerá as melhores estratégias para o enfrentamento do problema e interrupção dos danos ambientais".
Também questionada pela Folha, a ANM (Agência Nacional de Mineração) afirmou que não faz fiscalização de localidades com atividades ilegais de mineração.
"As nossas atividades são voltadas para o acompanhamento e fiscalização de atividades reconhecidas de acordo com a competência legal e institucional dessa Agência", disse, em nota, a ANM. "Práticas criminosas são questões de ordem policial/judiciária, previstas na legislação de crime ambiental e usurpação de bens públicos."
A Folha também procurou o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama, mas não teve resposta até o momento.
Fonte: Folha de S. Paulo
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