
23/11/2021
Ventilada no final da década de 1990, a ideia de implantar recifes artificiais na Praia de Piratininga para impulsionar a prática de surfe e mergulho no local volta a ser debatida na cidade. Na terça-feira, uma audiência pública será realizada na Câmara Municipal, às 18h, para tratar do tema. Os entusiastas defendem que a construção desses fundos impulsionaria o turismo, gerando desenvolvimento econômico perene na região.
Presidente da Associação de Surf de Ondas Grandes de Niterói, Alexey Wanick fará uma apresentação na audiência defendendo a implantação dos recifes artificiais. Ele destaca que Piratininga reúne as condições naturais ideais para o projeto e pontua que a cidade tem recursos financeiros e expertise em diversas áreas profissionais para avaliar cientificamente a aplicação das tecnologias existentes ao caso de Piratininga. O debate público foi convocado pelo vereador Casota.
— Vários lugares em Niterói podem receber um fundo artificial, mas Piratininga tem a vocação natural, pois recebe ondulações com boa quantidade de energia e ventos favoráveis grande parte do ano, condições naturais importantes para que o fundo artificial gere ondas consistentes e de qualidade. A gente acredita que essa consistência natural, junto com a tecnologia, vai permitir a criação de uma onda de mais qualidade do que as que existem hoje, com mais consistência e frequência. É essa frequência de ondas boas ao longo do ano que cria a zona de surfe e aí induz todo o investimento privado, impulsionando pousadas, lojinhas, restaurantes, competições e escolas de surfe na região. Quando as ondas pararem, e no verão acontece muito isso, existe a possibilidade de o fundo artificial ser zona de mergulho e pesca submarina, porque uma vida marinha se desenvolve no entorno do recife — explica Wanick.
Na audiência, ele vai falar das experiências de outros países, incluindo as malsucedidas, que deixam lições, e as mais promissoras, como um projeto que está sendo implantado em Albany, na Austrália.
— Niterói tem recursos e profissionais que são capazes de avaliar a viabilidade desse projeto. Vamos propor a criação de um grupo interdisciplinar com oceanógrafos, engenheiros, surfistas e ambientalistas que possa estudar e conhecer as tecnologias que existem no mundo e evoluíram muito nos últimos 20 anos. Futuramente, podemos ter um workshop internacional, chamando empresas para que apresentem essas tecnologias — diz.
Fonte: O Globo
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