
16/11/2021
Quase 70% dos territórios indígenas e das áreas protegidas em todo o bioma Amazônia estão ameaçados por estradas, mineração, exploração de petróleo e gás, invasões ilegais, hidrelétricas e desmatamento. O alerta consta no relatório lançado pelo Painel Científico para a Amazônia durante a 26ª Conferência sobre o Clima das Nações Unidas (COP26), em Glasgow, na Escócia.
O estudo ainda afirma que a Amazônia está muito próxima de um ponto crítico em mais de 60% da sua bacia: são regiões em que a floresta tropical pode dar lugar a ecossistemas degradados semelhantes a savanas.
O Relatório de Avaliação da Amazônia envolveu dezenas de cientistas - muitos brasileiros - e traçou um panorama de todo o bioma, ou seja, do ecossistema que se estende por 9 países da América do Sul, incluindo o Brasil.
O documento destaca como as principais ameaças na região:
✽ Expansão da pecuária ineficiente;
✽ Agricultura de baixa produtividade;
✽ Uso generalizado de produtos químicos tóxicos, incluindo poluição dos rios por mercúrio, usado no garimpo;
✽ Obras de grande infraestrutura, como hidrelétricas e estradas;
✽ Extração ilegal de madeira e mineração, que causam desmatamento e degradação dos ecossistemas florestais e aquáticos.
"O modelo de desenvolvimento industrial voltado para a exportação com uso intensivo de recursos, adotado pela maioria dos países amazônicos nos últimos 50 anos, levou a uma destruição maciça da floresta e a uma elevada desigualdade e pobreza", afirma o texto do trabalho.
Com o avanço do desmatamento e devastação da floresta, o relatório ainda alerta que a "biodiversidade incomparável da Amazônia pode tornar a região o maior reservatório mundial de vírus zoonóticos com potencial pandêmico".
Por outro lado, o relatório afirma que cerca de 45% das áreas mais bem conservadas do bioma amazônico são terras indígenas.
"Instamos a Cúpula da Biodiversidade a ajudar as nações soberanas da bacia amazônica a proteger, o que também é um patrimônio da humanidade global. Insistimos especialmente na proteção e no reconhecimento dos direitos dos Povos Indígenas, que são os legítimos primeiros administradores da Amazônia", diz trecho do documento.
Uma das recomendações dos cientistas é para que os governos trabalhem em conjunto com o conhecimento dos povos tradicionais da floresta para promoverem o desenvolvimento sustentável na região, o que eles chamaram de uma bioeconomia.
"Temos vivido na Amazônia por milhares de anos. A Amazônia é um ser vivo, que tem espírito e que vive em 9 países", disse o indígena Gregorio Mirabal, da Coordenação das Organizações Indígenas da Cuenca Amazônica (COICA), presente no lançamento do relatório.
"Podem desfrutar das coisas que a floresta amazônica nos oferece, mas façam sem devastar. E não queremos que continuem desmatando por carne e agronegócio", afirmou Mirabal.
O texto também recomenda que, além de acabar com o desmatamento da floresta, é preciso recuperar o que já foi devastado.
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