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Sem reduzir CO2, avanço do mar põe em risco 50 cidades do mundo, incluindo 7 do Brasil, diz pesquisa

16/11/2021

Um aumento de apenas 3°C na temperatura global pode transformar alguns dos pontos mais conhecidos do mundo em paisagens parcial ou totalmente submersas nos próximos séculos, afetando até 10% da população mundial. Isso porque, conforme o planeta aquece rapidamente e derrete as calotas polares, o nível dos oceanos consequentemente aumenta, podendo avançar sobre cidades e engolir populações costeiras. De olho nas projeções climatológicas para o futuro, o Climate Central, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos, publicou recentemente um estudo com imagens e vídeos impactantes que mostram o quanto o mar pode avançar sobre cerca de 50 cidades consideradas vulneráveis nas próximas décadas, caso não se cumpram as metas de redução das emissões de carbono.
Com uma costa de mais de 7 mil km no Oceano Atlântico, o Brasil aparece na 17ª posição entre os mais vulneráveis na lista da Climate Central. As cidades apontadas como mais suscetíveis a inundações pela maré são o Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Santos (SP) e São Luís (MA). Segundo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, publicado em agosto deste ano, Recife é a capital brasileira mais ameaçada pelo avanço do mar, ficando na 16ª posição entre as cidades mais vulneráveis do planeta.
Publicadas na revista Environmental Research Letters em colaboração com a Universidade de Princeton, dos EUA, e o Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, na Alemanha, as imagens do estudo da Climate Central fazem comparações que vão desde cenários considerados mais otimistas, com o aumento de 1,5°C na temperatura média do planeta — limite proposto pelo Acordo Climático de Paris —, aos mais pessimistas, caso nenhuma medida seja tomada para reduzir a zero as emissões de carbono até 2050. Nesse cenário, a temperatura média do planeta pode chegar a 3°C ainda neste século.
"Os líderes mundiais têm uma oportunidade fugaz de ajudar ou de trair o futuro da humanidade com as ações tomadas hoje sobre as mudanças climáticas", diz no documento o cientista-chefe da Climate Central e principal autor do relatório, Benjamin Strauss. "Medidas robustas e imediatas para uma economia mundial limpa e segura para o clima podem ajudar bilhões de pessoas, preservando cidades e nações inteiras para o futuro. As escolhas de hoje definirão o nosso caminho", completa.
O trabalho pode ser visto no site Picturing Our Future ("Retratando nosso futuro"), em que os usuários podem selecionar centenas de imagens de locais de risco em todo o mundo, incluindo centros financeiros, estádios, museus, templos e igrejas e outras construções históricas ou culturalmente significativas.
Segundo os dados do estudo, cerca de 510 milhões de pessoas vivem atualmente em terras que poderão ser afetadas por inundações de maré alta, mesmo com o mais otimista dos cenários. No mais pessimista, esse número chega a mais de 800 milhões de pessoas, cerca de 10% da população global. As simulações do estudo, no entanto, não levam em consideração barreiras físicas, como diques e paredões, capazes de reter o avanço da água, algo que os cientistas apontam como fundamental nos projetos urbanos futuros para evitar o agravamento dos impactos causados pelo avanço do mar devido ao aquecimento global.
As projeções também apontam que a região a ser mais afetada é a da Ásia, com a China, Índia, Vietnã, Bangladesh e Indonésia entre os países mais vulneráveis em longo prazo. Estas, aliás, são nações que adotaram capacidade adicional de queima de carvão nos últimos anos, conforme apontam os pesquisadores. Países asiáticos constituem 8 das 10 grandes nações sob maior risco, de acordo com o levantamento.
Além disso, pequenas nações insulares estão ameaçadas de perda quase total. Sob o cenário mais alarmante, as Bahamas, Maldivas, Ilhas Marshall, Ilhas Cayman, Tuvalu — cujo ministro de Relações Exteriores, Simon Kofe, discursou com água até os joelhos, dentro do mar, durante a COP26, na quarta-feira —, entre outras, enfrentam uma ameaça de 90% de exposição. No melhor dos cenários, com um aquecimento de 1,5°C, esse número ainda ultrapassa os 60% e coloca essas nações em risco eminente.
"O aumento do nível do mar ameaça nossa herança. Não apenas a herança antiga, mas as cidades em que vivemos hoje, em que as nossas ações hoje estão pavimentando o mundo para a próxima geração", afirma no documento o coautor do estudo e professor do Instituto Potsdam, Anders Levermann.

Fonte: O Globo

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